NAME, L; DUARTE, G.F; MENDONÇA, I; ACIOLE, V. e RANGEL, M. Corpo, território, paisagem e rede: por uma análise geográfica da Marcha das Vadias do Rio de Janeiro. Encontro dos Geógrafos da América Latina, 14, 2013. Lima. Anais... Lima: EGAL, 2013. 1 CORPO, TERRITÓRIO, PAISAGEM E REDE: POR UMA ANÁLISE GEOGRÁFICA DA MARCHA DAS VADIAS DO RIO DE JANEIRO 1 Leonardo Name Gabriela Franco Duarte Iata Mendonça Valquiria Aciole Mayara Rangel Departamento de Geografia da PUC-Rio Resumo Do conjunto de variadas insurgências ocorridas no espaço público de várias cidades do mundo desde 2011, tem-se como objeto a Marcha das Vadias do Rio de Janeiro (MVRJ), versão carioca da Slut Walk, manifestação canadense reproduzida em diversos lugares, em protesto às diversas formas de abuso de mulheres e em defesa do seu direito ao corpo. Pretende-se fazer sua análise geográfica, por meio da exposição de sua intricada relação à luz de conceitos geográficos “território”, “paisagem” e “rede” e de uma breve discussão sobre o corpo”, sob a ótica foucaultiana. Palavras-chaves: Marcha das Vadias do Rio de Janeiro, corpo, território, paisagem, rede. Introdução Uma onda de mobilizações vem agitando o globo desde 2011, resgatando o protagonismo do ativismo na luta por direitos sociais e na contestação de sistemas político-econômicos dominantes. Primeiramente ocorrendo na Tunísia e no Egito e em vistas a se derrubar governos totalitários, mais tarde a maior parte delas, porém, concentrou-se na América do Norte e na Europa, onde movimentos como o Occupy Wall Street, o Occupy London e o movimento dos Indignados espanhóis protestaram contra a austeridade de seus governos diante da forte crise econômica. Desse conjunto de protestos de trabalhadores, jovens estudantes e diversos grupos sociais nas ruas, e em grande medida mobilizados pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação, 2 chama a atenção a SlutWalk, marcha que se espalhou pelo mundo 3 após seu surgimento no Canadá, em abril de 2011. Ela se deu em protesto à declaração de um policial que alguns meses antes, numa palestra preventiva num campus universitário com crescentes casos de agressão contra mulheres, 1 O presente artigo é fruto da pesquisa “Das redes às ruas: novas tecnologias de informação e comunicação, política e mobilização social no espaço público", coordenada pelo professor e pesquisador Leonardo Name, do Departamento de Geografia da PUC-Rio. Desde 2012 essa pesquisa possui apoio financeiro da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro. Cf. Name (2012). 2 A partir de agora designadas “NTIC”, as novas tecnologias de informação e comunicação reúnem os computadores pessoais e outros equipamentos de armazenamento de dados e uso pessoal, como por exemplo os laptops e tablets; a internet, a telefonia móvel, os serviços integrados de correio eletrônico (e-mail, SMS) e de conversação (MSN, Skype etc.), as redes tecnossociais (Orkut, Facebook, Twitter etc.); as tecnologias digitais de captação, tratamento e reprodução de imagens e sons; e tecnologias de acesso remoto (Wi-fi, Bluetooth, RFID e EPVC). 3 Além do Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Dinamarca, Inglaterra, Escócia, Estados Unidos, Portugal, Holanda, Índia, México, Nicarágua, Colômbia, Equador e Israel foram alguns dos países onde se realizaram SlutWalks, ao longo de 2011 e 2012. Cf. http://marchadasvadiasbr.wordpress.com/mundo.