Robocop, Filosofia e o Futuro dos Robôs Militares 1 Texto publicado em Boletim Mundorama, v. 80, p. 1, 2014. Thiago Borne 2 Diego R. Canabarro 3 A refilmagem de RoboCop (2014), dirigida pelo brasileiro José Padilha, podia ser apenas mais uma tentativa de ressuscitar um clássico dos anos 1980 e transformá-lo num blockbuster. Mas não é. O filme vai além da reprise, apresentando ao espectador questões políticas e filosóficas importantes sobre o emprego de sistemas não-tripulados – os famosos drones – em operações militares e policiais. A história do filme é simples: em um futuro não muito distante, a cidade de Detroit é tomada pelo crime. O detetive Alex Murphy, por dedicar-se a investigar as ações de uma organização criminosa, acaba sendo gravemente ferido em um atentado orquestrado com o auxílio de policiais corruptos. Em paralelo a isso, o filme apresenta uma visão do que pode vir a ser a guerra do futuro: a multinacionalOmniCorp fornece sistemas não-tripulados para as operações militares norte-americanas no exterior e pressiona o Congresso para que seus robôs possam atuar também no território dos Estados Unidos em atividades relativas à segurança pública. Para lograr êxito, a empresa precisa vencer a resistência da população do país, contrária ao emprego de robôs policiais no patrulhamento das ruas. Tentando pôr a opinião pública a seu favor, a OmniCorpdecide agregar um componente humano aos robôs e transforma o mutilado Murphy em um ciborgue. Mas a humanização de Murphy é apenas fachada, já que a empresa pretende manter controle total sobre as ações do detetive. A partir daí, o filme se desenrola mostrando como o RoboCop consegue superar seus componentes biomecânicos e manter vivos os sentimentos que o definem como humano: amor, compaixão, medo, empatia, etc. 1 2 Thiago Borne é doutorando em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul FAPERGS (tborne@gmail.com). 3 Diego Rafael Canabarro é doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. É bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES e atualmente encontra-se em estágio doutoral junto ao National Center for Digital Government da Universidade de Massachusetts, Amherst, Estados Unidos (diegocanabarro@gmail.com).