131 volume 12 número 1 2008 LUIZ HENRIQUE LOPES DOS SANTOS Luiz Henrique Lopes dos Santos USP/CNPQ NOTAS CRÍTICAS SOBRE O REALISMO MATEMÁTICO, À MODA DE WITTGENSTEIN É quase um lugar comum caracterizar como anti-realista a posição de WiĴ- genstein acerca do estatuto da matemática. Já no Tractatus, contra Frege e Russell, ele opôs-se frontalmente à tentação referencialista de elucidar, por exemplo, o conteúdo semântico das proposições aritméticas em termos da relação de nome- ação que os símbolos aritméticos supostamente manteriam com supostas entida- des aritméticas, como números, operações, relações, etc., e em termos da relação de descrição que as proposições aritméticas supostamente manteriam com os supostos fatos aritméticos. Essa oposição aprofundou-se nos textos do início dos anos 30, num movimento de radicalização que, diz-se muitas vezes, teria cul- minado, nas Bemerkungen über die Grundlagen der Mathematik e nas WiĴgenstein’s Lectures on the Foundations of Mathematics, na modalidade mais extrema e, diriam alguns, mais delirante de anti-realismo: a tese de que os atos de asserção mate- mática estão desobrigados de conformar-se a qualquer padrão exterior de medi- da de valor. ANALYTICA, Rio de Janeiro, vol 12 nº 1, 2008, p. 131-147