O público e o privado - Nº 19 - Janeiro/Junho - 2012 43 (*) Maria Helena de Paula Frota é doutora em Sociologia pela Universidade de Salamanca - Espanha. Lider do Grupo Gênero, Família e Geração vinculado ao CNPq. Coordenadora do Observatório da Violência Contra a Mulher – OBSERVEM. Professora do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas e Sociedade, Mestrado Acadêmico e Proissional da Universidade Estadual do Ceará. @ - helenafrota@terra.com.br Equality/difference: the paradox of feminine citizenship according to Joan Scott Maria Helena de Paula Frota* Igualdade/diferença: o paradoxo da cidadania feminina segundo Joan Scott Palavras-chave: Estudos de Gênero; Igualdade e Diferença; Construção do Indivíduo. RESUMO: Este artigo tem como objetivo lançar mais uma relexão no contexto acadêmico brasileiro, especiicamente no campo das Ciências Sociais, sobre assuntos tão polêmicos e ao mesmo tempo desaiadores como gênero, igualdade, diferença e construção do indivíduo. O esforço na elaboração desse conjunto de ideias parte da intenção em analisar a construção teórico- metodológica da historiadora norte-americana Joan Scott, forma especíica em sua obra A cidadã paradoxal. Na análise de explicitação do marco teórico conceitual desse estudo, observamos formulações, divergências e contradições. Noções que deinem não somente as interpretações da autora na perspectiva do estado da arte, bem como compreensões que reletem situações graves e seculares que repercutem na vida das mulheres. Dentre eles, o acesso diferenciado aos bens materiais e espirituais da sociedade que, para a autora, é fator basilar da desigualdade. No fundo, todas essas tentativas de construção de uma epistemologia feminista postulam uma teoria social de caráter multicultural e emancipatória, daí a sua importância enquanto estudo. É fato as contribuições da crítica feminista às Ciências Sociais, desde o momento em que as mulheres adentraram ao campo do conhecimento científico, antes espaço, exclusivamente masculino, com raras exceções. Nesse sentido, pode-se dizer que tem havido uma verdadeira revolução. A resistência feminista vai incidir em várias frentes, dentre elas a base da ciência cartesiana que é a existência de um ser humano universal, bem como a natureza como fonte de explicação na construção da individualidade desse ser humano. “As feministas são mulheres que só têm paradoxos a oferecer”. Olympe de Gouges