87 4. Tornar-se adulto na Antiguidade Clássica L. N. Ferreira N. S. Rodrigues Como em todas as sociedades, na Grécia e na Roma antigas, o processo de amadurecimento de um indivíduo, que assinalava a passagem da infância para a idade adulta, conhecia uma série de vicissitudes, marcadas quer pelas idiossincrasias naturais quer pelas especiicidades culturais. As vivências da juventude relectiam-se, por conseguinte, em vários aspectos da vida cívica e política, mas também ao nível do foro doméstico e privado, com relexos na simbologia e nos ritos religiosos. Os estudos que se seguem, o primeiro elaborado por Luísa de Nazaré Fer- reira e o segundo por Nuno Simões Rodrigues, pretendem dar uma perspec- tiva das principais questões associadas a esta problemática, propondo uma síntese das mesmas bem como um vislumbre do estado da questão. Salienta- mos, porém, a consciência de que estamos a lidar com cerca de dois milénios de História da Humanidade, pelo que tentamos detectar tendências e salien- tar permanências e persistências histórico-culturais que se veriicam ainda hoje no domínio dos comportamentos e da psicologia social. É nosso objectivo apresentar um conspecto das vivências dos jovens na Grécia e Roma antigas. A partir das fontes disponíveis, como a literatura e a iconograia, analisa-se a forma como a juventude era entendida e represen- tada, mas também as funções sociais e culturais que desempenhava, das quais se destacavam os aspectos simbólicos e religiosos.