O MOVIMENTO NA MORFOLOGIA URBANA (linha em branco) Monica Fiuza Gondim Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - Universidade de Brasília – FAU/UnB (linha em branco) monica.gondim@gmail.com (linha em branco) (linha em branco) (linha em branco) Resumo A cidade é reconhecida por diferentes disciplinas como um espaço de movimento e de repouso. Nas análises morfológicas tradicionalmente elaboradas pelo urbanismo, entretanto, tem-se privilegiado somente os espaços de permanência com seus elementos fixos da arquitetura, excluindo-se da paisagem os diversos modos de deslocamento. Para a leitura dos aspectos configuracionais da cidade e compreensão das articulações entre movimento e forma, este artigo propõe a inclusão dos veículos como elementos mórficos, por considerar que sem movimento a cidade não é uma cidade, mas apenas uma estrutura urbana. (linha em branco) Abstract The city is recognized by various disciplines as a space of movement and stay. In morphological analyzes traditionally prepared in urban studies, however, it has only privileged the places of permanence with their fixed elements of architecture, excluding from the landscape the various modes of travel. To read configurational aspects of the city and understanding the links between movement and urban form, this article advocates the inclusion of vehicles as morphic elements, considering that without movement the city is not a city, but is just an urban structure. (linha em branco) Palavras-chave morfologia, configuração urbana, mobilidade, história urbana. (linha em branco) Keywords morphology, urban form, mobility, urban history. (linha em branco) (linha em branco) (linha em branco) 1 Movimento e repouso na evolução urbana O urbanista é um artesão e um esteta da construção do espaço e do tempo da cidade. Sua obra é formada por arquitetura, vias e natureza, tecida por relações entre forma e movimento, apesar de que este nem sempre é percebido como produto da obra, mesmo sendo o que a vivifica. Modos de deslocamentos, disputas pelo espaço de circulação, conflitos, congestionamentos, paradas, retornos, tempos de viagem, embarques/desembarques, carga/descarga e rotas são informações que descrevem a vida no cenário urbano, mas que estão excluídas das representações correntes da morfologia. Esta pesquisa defende a importância do papel da mobilidade na configuração da cidade e, para isso, recomenda a inclusão dos modais de transportes como elementos mórficos. Para Ildefonso Cerdá, na dualidade movimento e repouso estão todas as funções urbanas (CERDÁ, 1979). A representação da cidade como espaço de circulação e de permanência tem registros em diferentes disciplinas além do urbanismo, como a geografia, a sociologia e a filosofia. Para Aldo Rossi (2001), a cidade é formada por áreas fixas e de mobilidade. Milton Santos (2008, p.165 e 328), na geografia, também 1