Anais do I Congresso Brasileiro de Geograia Política, Geopolítica e Gestão do Território, 2014. Rio de Janeiro. Porto Alegre: Editora Letra1; Rio de Janeiro: REBRAGEO, 2014, p. 863-875. ISBN 978-85-63800-17-6 ENTENDENDO A SEGURANÇA FRONTEIRIÇA, UMA ABORDAGEM MULTIESCALAR: O CASO DA TRÍPLICE FRONTEIRA BRASIL- ARGENTINA-PARAGUAI UNDERSTANDING THE BORDER SECURITY, A MULTISCALE APPROACH: THE CASE OF THE TRIPLE BORDER BETWEEN BRAZIL-ARGENTINA-PARAGUAY FLÁVIA CAROLINA DE RESENDE FAGUNDESi & ALDOMAR ARNALDO RÜCKERTii Universidade Federal do Rio Grande do Sul ifagundes.laviacr@gmail.com, iialdomar.ruckert@gmail.com RESUMO. Este ensaio visa analisar o cenário de segurança regional e como este se materializa localmente na Tríplice Fronteira Argentina-Brasil-Paraguai, assim como as políticas brasileiras para as áreas de fronteira, com o intuito de entender a coerência, bem como a necessidade de reformulação destas. Nesse sentido, percebemos que as ameaças que assolam a região, basicamente desterritorializadas, criam a necessidade de ações colaborativas. Palavras-chave. Fronteira, Defesa, Cooperação. ABSTRACT. his paper aims to analyze the scenario of regional security and how these materialize locally in the Triple Border Argentina-Brazil-Paraguay as well as Brazilian political to the border areas, in order to understand the coherence and the need to redesign them. In this sense, we realize that the threats posed to the region are, basically, non-territorial, what creates the need for collaborative actions. Keywords. Border, Defense, Cooperation. INTRODUÇÃO As áreas de fronteira sempre foram vistas pelas autoridades brasileiras como zonas periféricas. Dessa forma, as estruturas institucionais e políticas nacionais brasileiras vieram sendo reativas em relação às suas fronteiras, sendo que uma parcela de seus territórios, e posteriormente estados federativos, ainda tem a função de áreas-tampão com relação ao restante do continente. Entretanto, em razão do progresso econômico desde a década de 1970, uma lenta e difícil - mas razoável - integração infra-estrutural 1 entre suas várias regiões e a expansão demográica para o interior do país afastaram deinitivamente o risco de uma fragmentação política e tornam as fronteiras em ativos de seu desenvolvimento nacional e inserção internacional. Por conta desse histórico, existem anacronismo e a necessidade de revisão das políticas brasileiras para fronteiras. De estruturas e políticas reativas, estáticas, centralizadas e excludentes; existe a necessidade que o país desenvolva uma perspectiva proativa para suas fronteiras, que as entendam como áreas de luxos, onde se dão a interação entre diferentes escalas de poder e gestão. Tendo em vista a natureza dual das zonas de fronteira, pois ao mesmo tempo em que são parte integrante do território nacional, estas também, transcendem este limite geográico, gerando a necessidade de um enquadramento especial dentro de uma política de defesa. A presença de mais 1 Além da integração em infra-estrutura do território brasileiro, devemos levar em conta que esta integração também tem se dado no nível regio- nal por meio da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana – IIRSA FRONTEIRAS: UM CONSTANTE DESAFIO TERRITORIAL EIXO IV