1 Como se faz Cinema PA RTE 1 – Funç õ e s e Eq uip e p o r Filip e Sa lle s O Cinema é antes de mais nada uma arte c oletiva. Não se faz c inema sozinho. Para todos a q ue le s q ue g o sta m d e lid a r c o m ima g e ns ma s p re fe re m o tra b a lho so litá rio , p o d e m e sc o lhe r à vo nta d e o utra s a rte s, q ue se m d úvid a nã o d e ixa rã o d e sup rir ne c e ssid a d e s simila re s. Te mo s a fo to g ra fia , a p intura , a e sc ultura , o d e sig n e a té a lite ra tura , se c o nsid e ra rmo s q ue a s p a la vra s geram imagens em nossa mente (e a imensa maioria dos filmes são adaptados de originais lite rá rio s). Ma s, uma ve z e sc o lhid a a tivid a d e c ine ma to g rá fic a , é fund a me nta l te r e m me nte q ue ire mo s tra b a lha r c o m muita s p e sso a s e q ue nã o p o d e mo s no s p re nd e r a ro tina s o rd iná ria s d o d ia - a -d ia . Pa ra ta nto , e mb o ra p o ssa p a re c e r ó b vio , é se mp re b o m le mb ra r q ue , p a ra se fa ze r cinema, é preciso estar imbuído da vontade de fazer cinema. Isso deve ser dito porque, como o fascínio e o poder que as imagens do cinema geram nos espectadores é muito grande, não p e nsa mo s q ue a ssistir c ine ma é muito d ife re nte d e fa ze r c ine ma . Muita s ve ze s so mo s imp e lid o s a q ue re r mo stra r no ssa p ró p ria c o nc e p ç ã o d a vid a o u d e um a sp e c to d e la a tra vé s d o c ine ma , se m nos darmos conta, conscientemente, que este é um processo complexo, que exige não apenas um d o mínio té c nic o , mas também e p rinc ip a lme nte p a c iê nc ia , p e rse ve ra nç a , re sp o nsa b ilid a d e , re sp e ito e , a c ima d e tud o , humild a d e . Cada um deve, dentro da função que escolheu, exercê-la da melhor maneira possível, independente do que os outros, de mesma ou de outra função, possam estar desempenhando numa determinada produção. Pois é um erro pensar que a culpa é sempre de algum contexto e xte rno , d a p ro d uç ã o , d o ro te iro , d o d ire to r, d o b isp o , d a mo rte d a b e ze rra . Imp re visto s se mp re ha ve rã o , e fa z p a rte d e ste p a c o te c o nsid e ra r a lte rna tiva s e m c a so d e imp o ssib ilid a d e s d e realizaç ão. Cada um é responsável pelo filme tanto quanto o outro, e é justamente por isso que é b o m le mb ra r a ra zã o p e la q ua l e sc o lhe mo s fa ze r c ine ma . É d e sta ra zã o q ue d e ve mo s e sta r c ie nte s e no s a uto -re fe rir a c a d a p ro d uç ã o , p a ra q ue , na s ma is c o mp lic a d a s, nã o p e rc a mo s d e vista nosso objetivo principal e nem a qualidade de nosso trabalho. Quando essa razão é e sq ue c id a , c o rre -se o sé rio risc o d e te r a q ua lid a d e d o tra b a lho ig ua lme nte e sq ue c id a na p rime ira frustra ç ã o p ro fissio na l. E outras palavras, o bom andamento de um filme depende menos do preparo técnic o de sua equipe do que da boa vontade de todos em fazer o melhor. E é preciso dizer: o cinema exerce sobre as pessoas um fascínio tão grande que por vezes acreditamos que se trata de um mundo mágic o. Nada mais falso, do ponto de vista de quem está do lado de trás das câmeras. E por isso, não custa lembrar que essa boa vontade não parte de uma entidade abstrata e ind isc e rníve l q ue p a ira no a r, p a rte d a re sp o nsa b ilid a d e ind ivid ua l d e c a d a um. Isso fa rá d o coletivo uma boa equipe. A Divisão da Equipe Uma p ro d uç ã o c ine ma to g rá fic a , c o mo já me nc io na mo s, é ne c e ssa ria me nte c o le tiva , e , p o rta nto , a s ta re fa s d e ve m e sta r muito c la ra s e o s o b je tivo s muito b e m d e finid o s. Ma s q ue ta re fa s sã o e sta s? Existe m, c la ro , inúme ra s funç õ e s no c ine ma , c a d a uma d e la s re sp o nsá ve l p o r uma determinada faixa de atuação, uma necessidade frente a um contexto específico – o filme – e que variam em certa medida de acordo com o caráter da produção. Entretanto, há certas funções que são básicas, e que sem a qual não se faz cinema, pois são de necessidade p rimo rd ia l. Sã o e la s: Dire ç ão Pro d uç ã o Fo to g ra fia Arte Som Mo nta g e m e Fina liza ç ã o