1 CORPO E DISCIPLINA NA CARREIRA DE COMISSARIA DE BORDO NA VARIG 1 Carolina Castellitti 2 Doutoranda PPGAS/MN/UFRJ Meu interesse pela carreira de aeromoça partiu, em primeiro lugar, da possibilidade de dar continuidade as pesquisas que venho realizando desde a graduação, sobre trajetórias conjugais de mulheres de camadas medias e suas interfases com outras dimensões da vida, como a da ocupação. Neste sentido, é o modo de lidar com a interação entre o que podemos denominar o “projeto familiar” e o “projeto profissional”, em uma carreira que coloca desafios muito específicos aos sujeitos, pelo menos em termos da organização espaço- temporal da jornada de trabalho que devem enfrentar – e que na realidade se estende muito alem disso, o que me resultou particularmente instigante da vida de estas mulheres. No entanto, esta justificativa não diz nada em relação à outra escolha que tampouco é casual, que tem a ver com carreiras que pertencem ao passado e que acabaram junto com a empresa que as acolheu: a Varig, companhia aérea brasileira fundada em 1927 e que encerrou suas atividades em 2006. É o meu vinculo com uma pessoa que foi comissária de bordo da Varig até a falência da companhia, e minha familiaridade com o significado dessa carreira, tão ditoso em seu exercício quanto dramático no seu final, que me despertou o interesse pelas trajetórias dessas mulheres. Esse é o percurso que desemboca em minha pesquisa de doutorado, que propõe indagar as trajetórias de vida das comissárias de bordo da Varig a partir de sua própria narração do passado e do presente. Talvez os únicos recortes que ate o momento delimitam esta indagação sejam de tipo geracional e de gênero. O primeiro, porque se trata de uma geração de mulheres que ingressou na profissão por volta dos anos 1970 e ali permaneceram até a falência da Varig, uns 30 anos depois, atravessando todo o período de auge e decadência da companhia. Neste contexto temporal, a quebra da empresa as encontrou em uma situação especialmente complicada, com 50 anos de idade e uma hiper- especialização profissional, o que se traduziu em uma perspectiva complexa de reinserção 1 Trabalho apresentado no Seminário Interno dos Alunos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ, realizado entre os dias 9 e 11 de dezembro de 2014. 2 Email para contato: carocastellitti@yahoo.com.ar