Inflexões metodológicas para a teoria do uso social dos meios e processos de midiatização JORGE CARDOSO FILHO INTRODUÇÃO A proposição de uma reflexão sobre o uso social dos meios ganhou força, na América Latina, a partir da década de 1980, com o lançamento do livro De los medios a las mediaciones: cultura, globalizacion y hegemonia, de Jesús Martín-Barbero. Havia ali uma reflexão sobre os meios de comunicação de massa que não tomava a discussão dos conteúdos veiculados como fundamental, típico da abordagem funcionalista, mas que também não privilegiava uma abordagem formal e suas implicações sociais, de inspira- ção na teoria crítica frankfurtiana. Martín-Barbero argumentava que somente no âmbito da apropriação desses meios é que seria possível visualizar os significados das práticas e, nesse sentido, entendê-las como fenômenos culturais que se entrelaçam e são atravessados por diferentes campos de força; de natureza históri- ca, tecnológica, social, política, econômica etc. Seu argumento encontrou reverberação nos estudiosos do campo da Comunicação no Brasil, como Escosteguy (2001) e Gomes (2004), sobretudo para aqueles que não esta- vam satisfeitos nem com as explicações oriundas das pesquisas em media effects nem com a discussão sobre a indústria cultural.