1 A descoberta do viver periférico: Visões da casa e do popular na arquitetura Paulista da década de 1970 1 José Henrique Bortoluci CPDOC – FGV Department of Sociology - University of Michigan jose.bortoluci@fgv.br Introdução O desenvolvimento da arquitetura moderna, tanto em suas várias vertentes internacionais quanto no Brasil, esteve intimamente ligado ao desenvolvimento da reflexão acerca da “questão da moradia”. Entendo aqui esta como uma das facetas mais importantes daquilo que, ao menos desde o texto fundamental de Engels, as várias tradições intelectuais da esquerda convencionaram chamar de “a questão social” (Engels 2009). Entre as várias obras que tentam fazer sentido do desenvolvimento da arquitetura moderna, é bastante comum a afirmação de que a temática da construção racional, de preferencia pré-fabricada, destinada às crescentes populações urbanas das cidades do norte desenvolvido, ocupou espaço central na reflexão e na prática das vanguardas arquitetônicas, sejam as da primeira fase áurea do modernismo arquitetônico, entre a primeira e a segunda guerras mundiais, seja nas várias releituras do 1 IMPORTANTE: Como é fácil de observar pelo título, este artigo tem um recorte mais específico do que o da apresentação, que terá como título "Organização popular, arquitetura e a questão da habitação em São Paulo, 1960-1995". De qualquer forma, este artigo apresenta o panorama das relações entre arquitetos e populações urbanas periféricas nas décadas de 1960 e menciona brevemente alguns dos elementos para a passagem aos anos 1980 e 1990, que irei discutir também na apresentação. Além disso, boa parte deste artigo apresenta material de um capítulo da tese que ainda estou redigindo; logo, algumas das seções ainda carecem de maior desenvolvimento e sustentação empírica que, espero, serão aprimorados na redação final. Críticas e sugestões são mais que bem-vindas!