SIMULAÇÃO DE ALTA RESOLUÇÃO DAS CIRCULAÇÕES ATMOSFÉRICAS LOCAIS NA REGIÃO DA FOZ DO RIO AMAZONAS Diego Oliveira de Souza 1 , Jaci Maria Bilhalva Saraiva 2 1 Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Cachoeira Paulista, SP, Brasil. dsouza@cptec.inpe.br 2 Sistema de Proteção da Amazônia, Manaus, AM, Brasil. jaci.saraiva@sipam.gov.br RESUMO: Com o objetivo de estudar a formação e intensificação das circulações atmosféricas locais na região nordeste da Amazônia foram realizadas simulações numéricas com modelo atmosférico de mesoescala utilizando alta resolução espacial. Resultados preliminares mostram que o contraste térmico entre o oceano atlântico tropical e o continente apresenta-se como principal forçante na formação de circulações do tipo brisa marítima. O contraste térmico entre os grande corpos de água da região e o continente também mostraram-se importantes na formação de outros tipos de circulações locais assim como intensificação da circulação do tipo brisa marítima. Os dados modelados e os observados apresentaram certa coerência de valores, tornando as simulações numéricas muito representativas para o estudo deste tipo de circulação atmosférica. ABSTRACT: With objective to study the formation and intensification of the local atmospheric circulations in the northeast region of Amazon, high resolution numerical simulations with mesoscale atmospheric model had been carried. Preliminary results show that the thermal contrast between the tropical Atlantic Ocean and the continent is presented as main pattern in the formation of the sea-breeze. The thermal contrast between great the water bodies of the region and the continent had also revealed important in the formation of other types of local circulations well as intensification of the sea-breeze circulation. The data of the numerical models and the observed data had presented certain coherence of values, becoming very representative the numerical simulations for the study of this type of atmospheric circulation. Palavras-chave: Brisa Marítima, BRAMS, Amazônia 1. INTRODUÇÃO O litoral norte do Brasil, que extende-se por três Estados brasileiros: Amapá, Pará e Maranhão, possui uma extensão de aproximadamente 1800 km dominados por diferentes feições fisiográficas. A influência do oceano atlântico tropical sobre esta parte do litoral brasileiro fica muito evidente quando analisa-se as taxas de precipitação ao longo da costa adjacente e na parte interna do continente, região esta onde estão presentes uma das maiores taxas de precipitação da Terra. Nesta região pode-se observar média anual de precipitação de 3000 mm durante o ano no Amapá e delta do rio Amazonas. A região nordeste da Amazônia possui a característica de apresentar duas estações bem distintas em relação ao volume pluviométrico. A estação de seca estende-se dos meses de agosto a novembro, com valores de precipitação inferiores a 100 mm mensais. Os maiores valores de precipitação são registrados durante a estação chuvosa, que esta compreendida entre os meses de janeiro a abril, sendo que no mês de janeiro observam-se médias mensais superiores a 400 mm (Rao e Hada, 1990; Figueroa e Nobre, 1990). Uma das causas deste máximo é o posicionamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) durante os meses de janeiro a junho próximo ao litoral da região, que é regulada principalmente pelo aumento da temperatura da superfície do oceano neste período (Horel et al, 1980). A convecção induzida pela convergência em superfície entre o escoamento principal e circulações locais, como por exemplo a brisa marítima, também exerce influência sobre o comportamento da precipitação sobre a região, principalmente na região litorânea. Muitas vezes a nebulosidade gerada sobre o litoral pode propagar-se para o interior do continente como linhas de instabilidade, causando precipitação na parte interior do continente. A formação destas linhas podem ser observadas ao longo do litoral da região norte, desde a Guiana Francesa até o Maranhão (Kousky, 1980; Cohen, 1995). O principal mecanismo de formação das Linhas de Instabilidade de origem costeira é resultado da convecção induzida pela circulação