60 Gregory Bateson, Margaret Mead e o caráter balinês. Notas sobre os procedimentos de observação fotográfica em Balinese Character. A Photographic Analysis Marcius Freire De um encontro curioso a um livro original E m 1942, ao comemorar seus 125 anos de existência, a Academia de Ciências de Nova York publica um livro que iria fincar um marco na história da an- tropologia: Balinese Character. A Photographic Analysis, de Gregory Bateson e Margaret Mead. Esse marco, no entanto, deita suas raízes nos últimos anos do século XIX, quando pesquisadores das mais diversas origens apropriaram-se dos instrumentos então em desenvolvimento para a apreensão e reprodução dos sons e imagens do mundo. Dentre eles o inglês A. C. Haddon ocupa uma posição das mais destacadas. Com efeito, quando em 1898 ele organiza uma expedição interdisciplinar ao Estreito de Torres, esse biólogo estaria não somente redirecionando os rumos de sua própria carreira como contribuindo de forma definitiva para o lançamento das bases de um novo campo do conhecimento que viria, anos depois, a ser conhecido como An- tropologia Visual. Isso porque tal expedição lançou mão de inovações tecnológicas como a câmera fotográfica, o gravador com cilindro de cera – inventado por Edison – e o recém-concebido cinematógrafo. Curiosamente, aquele que teve os rumos de sua carreira modificados a partir do contato com populações da Oceania – saindo da Inglaterra como biólogo ma- rinho e voltando um estudioso do homem – seria quem levaria um dos autores de Balinese Character a abandonar o caminho de sua formação original – a zoologia – para colocá-lo na trilha da antropologia. De fato, Gregory Bateson foi estimulado pelo Prof. Haddon, de quem tinha sido aluno, a empreender uma pesquisa de campo na ALCEU - v.7 - n.13 - p. 60 a 72 - jul./dez. 2006