O Debate sobre Habitação nos Congressos Pan-Americanos de Arquitetos: 1920-1940 Fernando Atique 1 Costumeiramente, os estudos internacionais sobre a habitação se voltam à análise de transposições, vinculações ideológicas e, até mesmo, cópias de modelos entre países. Tratam, também, da análise da tecnologia empregue na construção, bem como da documentação e crítica de obras paradigmáticas de arquitetos envolvidos com esse campo da arquitetura e do urbanismo. No caso brasileiro a situação não é diferente. Muito embora tenhamos uma produção editorial, e mesmo acadêmica, tímida no que tange a trabalhos sobre a habitação, - perto do que se esperaria para um país de proporções continentais -, possuímos trabalhos que fornecem subsídios mínimos à sua compreensão. Dentre essa produção mínima, contudo, ressente-se a falta de trabalhos que tratem, também, das repercussões de eventos que discutiram essa questão do alojamento, sobretudo daqueles que reuniram profissionais da área do projeto e da construção. Por esse breve panorama percebe-se que a história e a crítica ligada à habitação enfrenta, ainda, uma série de lacunas. Dentre essas lacunas, destaca-se a necessidade de uma análise do debate que foi processado sobre o tema nas cinco primeiras edições dos Congressos Pan-Americanos de Arquitetos, e que tem merecido da historiografia poucas linhas em trabalhos dos mais diversos interesses. 2 É, pois, visando contribuir no entendimento dos Congressos Pan-Americanos de Arquitetos e dos debates e proposições acerca da habitação, processados em suas edições, que se estrutura esse paper. 1 Professor Universidade São Francisco – USF, Doutorando FAU-USP. E-mail: fernandoatique@yahoo.com.br 2 Serão analisadas apenas as cinco primeiras edições dos Congressos Pan-Americanos de Arquitetos, pelo fato das reuniões posteriores a 1940, já possuírem certa homogeneidade de pensamento, em função do apogeu do Movimento Moderno de Arquitetura. As cinco edições inaugurais desses Congressos, entretanto, atestam uma pluralidade de pensamento e opções ideológicas, políticas, estéticas e construtivas, entre os arquitetos, tornando sua análise mais interessante para o entendimento das opções processadas após 1940.