AS BORDAS DA CIDADE COLONIAL: O caso do bairro Vila Aparecida em Ouro Preto/MG SANTANA, MARCELA M. (1); STEPHAN, ÍTALO I. C. (2) 1. Universidade Federal de Viçosa. Rua Dr. Milton Bandeira, 34/703. Centro. Viçosa/MG. Cep:36570-000 marcelasantana@gmail.com 2. Universidade Federal de Viçosa Departamento de Arquitetura e Urbanismo, s/n Campus UFV. Cep: 36571-000. stephan@ufv.br RESUMO Este trabalho trata da cidade de Ouro Preto, tombada em nível federal nos anos 1930 e que teve sua paisagem reconhecida em nível internacional nos anos 1980. A cidade teve uma recuperação econômica significativa na segunda metade do século XX, proveniente da industrialização e da intensificação da atividade turística. A partir de então, passou a enfrentar o desafio de conciliar a preservação do patrimônio com o desenvolvimento urbano. As áreas que, nos anos 1930, se encontravam intactas nos arredores da cidade colonial, passaram a ser ocupadas de forma descontrolada, com pouca ou nenhuma infraestrutura. Localizados nas encostas visíveis que configuram a moldura do núcleo setecentista, os novos bairros surgiram em meio à paisagem tombada, sendo objeto de controle do IPHAN. Tais regiões se situam nas “bordas”, às margens da "cidade colonial' e foram o objeto deste estudo. Este trabalho teve como objetivo compreender como as iniciativas de controle de ocupação por parte do IPHAN e da prefeitura (ou a falta delas), impactaram na formação e consolidação dos bairros das "bordas". Para isso, foi selecionado um recorte urbano representativo: o bairro Vila Aparecida - escolhido por seus aspectos históricos e seu impacto visual na cidade. Foram realizados levantamentos in loco e de dados históricos, estudos morfológicos, além de entrevistas com moradores do bairro. As legislações municipais e do IPHAN foram analisadas e confrontadas com a situação encontrada, a fim de compreender como acontece o controle do solo nesta área.Notou-se que o bairro foi configurado de forma espontânea: primeiro vieram as casas, depois as ruas, a capela e, ainda mais tarde, a infraestrutura. Percebeu-se ainda, a ausência da administração municipal, tanto em termos de controle da ocupação do solo, bem como em benfeitorias e fornecimento de infraestrutura, embora o loteamento tenha sua origem atrelada à iniciativa da Prefeitura. Entretanto, o IPHAN se mostrou mais presente: no estilo das construções (telhados cerâmicos, cores claras nas alvenarias e esquadrias em madeira, etc). Contudo, mesmo nas edificações com exigências atendidas, não há harmonia com o conjunto, por uma série de fatores relacionados ao traçado urbano, às características dos lotes, que condicionam por sua vez em uma forma de ocupação adensada, que contrasta com o tecido urbano colonial. Pode-se considerar que a