ANPUH – XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Fortaleza, 2009. A capitania de São Paulo e sua inserção nas relações mercantis do Império português (1788/1808) Renato de Mattos Resumo: Através da análise da bibliografia sobre o tema aliada à leitura de textos produzidos por autoridades paulistas do período, pretendemos problematizar a “decadência” e “pobreza” da capitania de São Paulo nas últimas décadas do século XVIII. Nesse sentido, privilegiamos o debate em torno da inserção da capitania paulista nas linhas de comércio do Império português, destacando a atuação dos grupos mercantis locais e suas articulações com a metrópole e com as demais capitanias da América Portuguesa. Palavras-chave: São Paulo, comércio colonial, Império português. Abstract: Through the analysis of the bibliography relative to the theme and the reading of the documents written by authorities of São Paulo, we intend to study the “decay” and the “poverty” of São Paulo in the last quarter of the eighteen century. In this sense, we have chosen to discuss the insertion of the capitania of São Paulo in the trade lines of the Portuguese empire, through the analysis of local merchant groups and their connections with Portugal and the rest of the capitanias of the colony. Keywords: São Paulo, colonial trade, Portuguese empire. Nos últimos anos, a bibliografia sobre a capitania e cidade de São Paulo teve como principal eixo temático a análise crítica das várias interpretações produzidas desde fins do século XIX por aqueles historiadores tidos como “tradicionais”. Estes autores, em sua grande maioria, eram associados ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) 1 , órgão fundado em 1894 e que desde a sua gênese buscava “no passado fatos e vultos na história do estado que fossem representativos para constituir uma historiografia marcadamente paulista, mas que desse conta do país como um todo” (SCHWARCZ, 1995: 126-127). Com o declarado interesse em “justificar o poder de São Paulo no contexto de riqueza cafeicultora no âmbito da República Velha” (BLAJ, 2000: 240), os estudos levados a cabo por estes historiadores apresentavam como traço comum a valorização do paulista ancestral, através do enaltecimento da figura do Bandeirante, reconhecido como o elemento responsável pela expansão do território português para além da linha de Tordesilhas e por conseqüência, o responsável pela configuração espacial do futuro território brasileiro. Aluno no nível de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em História Social do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). 1 Entre estes autores vinculados ao IHGSP destacamos Theodoro Sampaio. São Paulo de Piratininga no fim do século XVI. Revista do Instituto Histórico e Geographico de São Paulo, São Paulo, vol. 4, p. 257-278, 1899; e Alcântara Machado. Vida e Morte do bandeirante. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1980 [1929]. 1