A FACHADA DO PAÇO DUCAL DE VILA VIÇOSA E OS SEUS ARQUITECTOS NICOLAU DE FRIAS E PERO VAZ PEREIRA: UMA NEBULOSA QUE SE ESCLARECE ___________________________________________ Vítor Serrão * 1. O Paço de Vila Viçosa, a «corte na aldeia»: um problema de arte A candidatura de Vila Viçosa a Património da Humanidade junto das instâncias da UNESCO tem, entre as suas evidenciadas mais-valias patrimoniais, a força acrescida de incluír como peça mais aprimorada o conjunto monumental do Paço dos Duques de Bragança. Entre as suas jóias de referência, a «cidade dos mármores» possui um Paço que é não só o maior e o mais importante monumento português de arquitectura civil do século XVI, como um dos mais expressivos testemunhos da época maneirista, e desse gosto estilístico, a nível da Península. Essa é razão de sobra para que um processo de revalorização da cidade alentejana, como é a candidatura em curso, seja encarado com boas expectativas. A fachada do Terreiro 1 é de majestoso poder cenográfico, ainda que nem sempre tal tenha sido reconhecido pela historiografia que dela se ocupou. Não só a * ARTIS-IHA-FLUL-Instituto de História da Arte. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 1 Este texto sumaria os resultados das nossas pesquisas sobre a fachada ducal, esboçadas no livro O Fresco Maneirista no Paço de Vila Viçosa, Parnaso dos Duques de Bragança (Fundação da Casa de Bragança, 2008) e depois melhor desenvolvidas no livro Arte, Religião e Imagens em Évora no tempo do Arcebispo D. Teotónio de Bragança, 1573-1602 (no prelo), bem como num dos capítulos do relatório final do projecto da Fundação para a Ciência e a Tecnologia De Todas as Partes do Mundo: O Património do 5º Duque de Bragança, D. Teodósio I, coordenado por Jessica Hallett (PTDC/EAT-HAT/098461/2008). Callipole – Revista de Cultura n.º 22 – 2015, pp. 13-45.