ASPECTUALIZAÇÃO ESPACIAL: UMA PROPOSTA DE ANÁLISE 1 Claudia Maria Sousa Antunes (UFRJ) 1. Introdução O discurso tem se tornado, nos últimos tempos, motivo de análise de diversas correntes linguísticas. E considerar o discurso pressupõe considerar a interação. A percepção de que a interação é parte constitutiva do ato de linguagem tem provocado a escolha da noção de texto como unidade de análise. E a Semiótica define-se como uma teoria que considera o texto como seu objeto de estudo. Ela procura descrever “o que o texto diz e como ele faz para dizer o que diz” (BARROS, 2005, p. 11). Essa postura teórica advoga que é necessário considerar a existência de sujeitos que determinam a produção de sentido do texto, entendido como um todo provido de uma organização interna (objeto, portanto, de significação) e de um posicionamento sócio-histórico (objeto de comunicação). A Semiótica considera ainda que as condições de produção estão inscritas nos próprios textos, com esquemas de organização textual subjacentes a todos eles. A interlocução entre os sujeitos do discurso (enunciador e enunciatário) é responsável pela construção do sentido do texto, e esse sujeito deixa, no texto, marcas específicas passíveis de serem analisadas. Daí a consideração, por A.-J. Greimas (GREIMAS; COURTÉS, 1994), fundador dessa corrente, de uma análise imanente, além de relacional e estrutural, do sentido. Todo texto, ainda, carrega uma ideologia, o que o situa na história e na sociedade. A Semiótica de fundamento greimasiano (linha francesa) oferece um instrumental que se baseia no chamado percurso gerativo do sentido, formado pelos níveis fundamental, narrativo e discursivo, cada um com uma sintaxe e uma semântica. A análise aqui proposta se atém ao nível discursivo. Quanto à sintaxe desse nível, é possível definir processos de discursivização: actorialização, temporalização e espacialização. Esses três processos fundam-se nas operações de embreagem e debreagem. A debreagem disjunge e projeta para fora do ato de linguagem a pessoa, o tempo e o espaço; a embreagem, por outro lado, é o efeito de retorno à enunciação (GREIMAS; COURTÈS, 1994, p. 140). Em relação também aos percursos de discursivização, é possível estabelecer ainda a questão do ponto de vista do 1 Texto publicado em Aspectualização pela análise de textos – (org. por Regina Gomes)