Versão online: http://www.lneg.pt/iedt/unidades/16/paginas/26/30/185 Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial III, 1247-1250
IX CNG/2º CoGePLiP, Porto 2014 ISSN: 0873-948X; e-ISSN: 1647-581X
Recursos pedagógicos elaborados para a disciplina de
Geologia do 12.º ano: um processo de avaliação
Teaching resources developed for the discipline of 12th year
Geology: an evaluation process
G. P. Correia
1*
, C. Gomes
1
© 2014 LNEG – Laboratório Nacional de Geologia e Energia IP
Resumo: Neste trabalho são apresentados os resultados de um
processo de avaliação de um conjunto de recursos pedagógicos
desenvolvidos para a área disciplinar de Geologia do 12.º ano de
escolaridade. Para o efeito recorreu-se a uma metodologia de
obtenção de dados diferenciados, que envolveu a construção e a
aplicação de um questionário individual e uma entrevista
semiestruturada. Todos os recursos avaliados se podem considerar
pertinentes, exequíveis e úteis, podendo-se constituir como um
complemento aos manuais escolares disponíveis no mercado.
Palavras-chave: Avaliação, Ensino da Geologia, Recursos
pedagógicos.
Abstract: In this work, authors present the results of an evaluation
process of a set of learning resources developed for the Geology
subject for the 12
th
year schooling. For this purpose a methodology
for gathering data was used, which involved the construction and
application of an individual questionnaire and a semistructured
interview. All the teaching resources evaluated can be considered
relevant, feasible and useful, and can be seen as a complement to
course books available in the market.
Keywords: Evaluation, Teaching Geology, Teaching resources.
1
CGUC; Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra.
*
Autor correspondente / Corresponding author: gina_maria@sapo.pt
1. Enquadramento teórico
No âmbito das Ciências da Terra e da Vida os discentes
mostram-se, frequentemente, pouco motivados para as aulas
de Geologia, considerando estes conteúdos complexos e
desfasados dos seus interesses académicos. São
relativamente poucas as turmas de Geologia do12º ano nas
Escolas portuguesas. Para contrariar esta realidade, é
necessário criar materiais que fomentem o interesse e
entusiasmo dos alunos pela Geologia e lhes permitam
compreender o papel fundamental do ponto de vista
económico que esta ciência desempenha na sociedade. De
facto, para além do carácter científico, a Geologia
desempenha um papel importante nas relações que se
estabelecem entre Ciência e Sociedade, contribuindo para o
estabelecimento de um desejável equilíbrio entre qualidade
de vida e desenvolvimento. (Silva et al., 2001: p. 6).
Importa também mostrar o seu carácter interdisciplinar e
a impossibilidade de dissociá-la da Biologia e de outras
áreas disciplinares como, por exemplo, a Física, a Química
ou a Matemática.
As sugestões metodológicas do Ministério da Educação
e Ciência, para o ensino de Geologia do 12.º ano, apontam
para o recurso a estratégias de ensino baseadas em exemplos
da História da Ciência, atividades de indagação e pequenas
investigações, atividades experimentais, laboratoriais e de
campo, à utilização de modelos físicos analógicos e das TIC
(Amador & Silva, 2004).
Assim, a construção de recursos variados, que devem ir
ao encontro das orientações metodológicas, poderá ser uma
forte aposta no sucesso do desenvolvimento de
competências (conhecimentos, capacidades e atitudes) dos
alunos que frequentam a disciplina de Geologia do 12.º ano.
Sabe-se que os conhecimentos prévios dos alunos
condicionam as suas aprendizagens (Ausubel, 1960) e que
as atividades práticas, por exemplo de campo ou de
laboratório, desempenham um papel particularmente
importante na aprendizagem das ciências. Por esse motivo,
cabe ao professor organizar e orientar as atividades práticas
dos alunos, ajudando-os a formular problemas que, de
início, possam suscitar o seu interesse, facilitando as
conexões com os seus conhecimentos prévios e estruturando
novos saberes.
Do mesmo modo, a avaliação, parte intrínseca dos
processos de ensino e de aprendizagem, deverá ser
entendida como uma oportunidade para introduzir correções
nestes processos, sendo necessário privilegiar uma
diversificação nos modelos de ensino e de avaliação
utilizados, nos instrumentos produzidos e nos momentos da
sua aplicação. A uma avaliação dos aspetos conceptuais é
necessariamente importante associar uma avaliação de
aspetos procedimentais e atitudinais (Amador & Silva,
2004).
2. Metodologia
2.1. Fundamentação, objetivos e questões de
investigação
No âmbito de um projeto mais alargado, que teve como
ponto de partida uma análise qualitativa dos manuais de
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