Digital History e formação de historiadores: sugestões para um debate. Patricia Santos Hansen Introdução O objetivo deste texto é apresentar algumas das questões que as práticas associadas à chamada Digital History colocam aos historiadores no momento atual. Tais questões, espera-se, podem talvez contribuir para a formulação de uma pauta de discussões a ser considerada nos cursos de formação de historiadores, em ambos os níveis de graduação e pós-graduação, no que diz respeito à (re)elaboração dos programas de disciplinas obrigatórias, na reformulação de currículos, e/ou na oferta de disciplinas opcionais. Não ignoro que a falta de infraestruturas, em muitas universidades, seja um enorme obstáculo. Porém, penso que uma vez compreendidas como prioridade (assim como não é possível haver cursos de informática sem computadores), as condições terão de ser criadas. Nesse sentido, sendo muito otimista é claro, não vou tratar das dificuldades postas pelos problemas de infraestrutura material e tecnológica, as quais são muitas e as realidades diversas, tampouco da falta de recursos humanos que serão formados conforme a necessidade se apresentar, isto é, quando estas questões constituírem de fato uma agenda para o ensino superior de história. Além disso, a necessidade de se discutir o tema extravasa as considerações sobre os contributos metodológicos e práticos que as diversas tecnologias podem oferecer aos profissionais de história, e mesmo a importância da aquisição de competências técnicas básicas para usufruir destas. Portanto, nesta comunicação procurarei abordar principalmente as consequências, para o exercício profissional crítico e reflexivo, de situações geradas ou propiciadas pelo ingresso da Digital History no universo de atuação dos profissionais de história. Estes serão aqui considerados como aqueles que se dedicam aos diversos níveis de ensino de história e/ou à pesquisa na área, por isso também não levarei em conta dicotomias estabelecidas entre “pesquisadores” e “professores de história”, existentes em maior ou menor grau em diferentes contextos, considerando o problema concernente tanto à formação básica destes profissionais, quanto às subsequentes especializações e áreas de atuação profissional. O problema Trata-se de um fato de difícil contestação que nas últimas décadas a grande maioria dos historiadores de todas as subáreas disciplinares, tanto no ensino quanto na pesquisa, do mesmo modo Patrícia Hansen é historiadora e webdesigner diletante. Foi professora de História no ensino fundamental, médio e superior no Brasil. Em Portugal, foi responsável pelas disciplinas: Metodologias de Investigação no Mestrado em História da Educação (E-learning); Educação para a Cidadania para o Mestrado em Ciências da Educação; e Literatura Infantil e Educação para a Licenciatura do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Mantém duas páginas no Facebook: “Ofício de Historiador” e “História da Literatura Infantil” e tem interesses de pesquisa nas áreas da História