ESPAÇOS NARRADOS a construção dos múltiplos territórios da língua portuguesa Seminário Internacional da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – 29 de outubro a 01 de novembro de 2012 Mapa de trocas e caminhos da cidade de São Paulo em 1798 Amália Cristovão dos Santos Mestranda do Programa de Pós-Graduação da FAU-USP amaliasantos@gmail.com Introdução A posição “privilegiada” da cidade de São Paulo, em relação às rotas e circuitos de trocas de mercadoria na colônia, foi devidamente identificada pelo geógrafo Caio Prado Jr., no artigo “O fator geográfico na formação e no desenvolvimento da cidade de São Paulo” (PRADO, 1975), já bastante transcrito. Podemos afirmar que essa característica está presente em diversas interpretações acerca da relevância das atividades exploradoras e comerciais empreendidas pelos paulistas 1 no período colonial – mesmo que tenham conclusões divergentes ou opostas. No capítulo “A construção das imagens” (BLAJ, 2002: 39-85), de A trama das tensões, Ilana Blaj, tece um balanço crítico que apresenta os principais predicados usados na caracterização do passado colonial paulista. Grosso modo, os conceitos de pobreza e isolamento foram criados na Primeira República e cristalizados até a década de 1970. Inicialmente, a ideia da “raça de gigantes”, 2 isolada e autônoma buscava justificar a liderança que o Estado de São Paulo pretendia para si, na nova conjuntura que formada. A década de 1950, por sua vez, foi um momento de análises desenvolvimentistas, que centravam as atenções no nordeste açucareiro. A figura da capitania de São Paulo entra em cena apenas no tocante às atividades de abastecimento das regiões produtoras (BLAJ, op. cit.: 66). Citaremos, a título de exemplo, as obras de Alcântara Machado (1980), Ernani Silva Bruno (1991) e Richard Morse (1970) que, por motivações distintas, operam dessa maneira. Portanto, ao tratarem da pobreza da capitania paulista, essas 1 Usaremos os termos “paulistas” e “paulistanos” para nos referirmos respectivamente aos habitantes da capitania e da cidade de São Paulo, no período colonial. 2 Expressão originalmente encontrada nos relatos de viagem de Auguste de Saint-Hilaire e apropriada por Alfredo Ellis Jr., como significante da superioridade física dos paulistas. (SAINT-HILAIRE, 1972).