Sustentabilidade demográfica e desenvolvimento dos concelhos portugueses Maria de Nazaré OLIVEIRA ROCA e-GEO Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa Avenida de Berna, 26-C 1069-061 Lisboa e-mail: mn.roca@fcsh.unl.pt Nuno LEITÃO e-GEO Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa Avenida de Berna, 26-C 1069-061 Lisboa e-mail: nuno.leitao@fcsh.unl.pt Resumo No modelo conceptual apresentado neste artigo, baseado na abordagem sistémica da sustentabilidade do desenvolvimento, a sustentabilidade demográfica compreendem duas dimensões – quantitativa e qualitativa. Esse modelo foi aplicado à realidade portuguesa com o objectivo de se elaborar uma tipologia de concelhos que foi conseguida através das análises factorial e de clusters. Concluiu-se que, em 2001, numa boa parte dos concelhos serranos e/ou raianos, já não havia sustentabilidade demográfica enquanto que esta estava em risco num número ainda maior de concelhos semi-rurais, litorais e interiores. A fim de combater esse défice demográfico, devem ser desenhadas e implementadas políticas a nível regional, com base no princípio da complementaridade na utilização de recursos humanos e de equipamentos e para o qual a massa crítica demográfica que conta é a regional e não a concelhia. Em contraste, a mobilidade espacial entre os centros urbanos e as suas áreas periurbanas asseguraram a sustentabilidade demográfica das regiões urbanas, como um todo. Mas essas regiões urbanas podem ter, também, a sua sustentabilidade em risco a longo prazo. Para que esse cenário negativo não ocorra é necessário promover políticas que promovam um desenvolvimento territorial harmonioso. No grupo de concelhos no noroeste e centro-norte de Portugal, áreas de industrialização difusa e/ou de agricultura familiar, enquanto que a dimensão quantitativa continuava a ser assegurada, não havia sustentabilidade demográfica em termos qualitativos. As políticas para esses territórios devem visar a superação do baixo nível de desenvolvimento do capital humano através da concretização de medidas que minimizem o grave problema do abandono escolar e que promovam a criação de emprego qualificado. Palavras-chave: sustentabilidade demográfica, tipologia, desenvolvimento regional, desenvolvimento local, análise factorial, análise de clusters.