Congresso Internacional Pequena Nobreza nos Impérios Ibéricos de Antigo Regime | Lisboa 18 a 21 de Maio de 2011 1 Viver à lei da nobreza: familiaturas do Santo Ofício, Ordens Terceiras, câmaras e Ordem de Cristo num contexto de mobilidade social (Minas Gerais, século XVIII) Aldair Carlos RODRIGUES Doutorando em História Social - Universidade de São Paulo aldair@usp.br O ponto de partida desta comunicação é a caracterização social dos 457 familiares do Santo Ofício da capitania de Minas Gerais (século XVIII) 1 por meio do método prosopográfico. Visto que a familiatura foi obtida nessa região principalmente por um grupo em processo de mobilidade social ascendente, verificaremos qual era a eficácia dessa insígnia num movimento mais amplo de busca por distinção social. Qual era o valor da familiatura na constelação de insígnias e títulos que ofereciam distinção no Antigo Regime? Além da familiatura, verificaremos quais outras estratégias o grupo analisado utilizou para sua afirmação social. Será considerada a entrada nas ordens terceiras, Ordem de Cristo e câmaras municipais. Que estratégias eram adotadas para a penetração em cada uma dessas instituições? Em qual delas os sujeitos do grupo analisado entravam primeiro? O ingresso em uma ajudava a abrir a porta de outra? Que impacto todo esse movimento tinha na construção do “viver à lei da nobreza”? O que significava “viver à lei da nobreza” nessa região da Colônia? Como a noção do “viver à lei da nobreza” era manipulada nesse contexto de afirmação social? No que diz respeito à naturalidade, verificamos que a maioria absoluta dos sujeitos que compunham a rede de familiares do Santo Ofício de Minas era originária do norte de Portugal – ¾ do total de agentes – com predominância dos naturais do Minho. Eles eram, em geral, filhos de lavradores – caso da maioria – e de oficiais mecânicos que saíam de suas terras natais em busca de melhores oportunidades de vida: queriam trilhar o caminho da prosperidade, no caso do grupo analisado, na capitania de Minas Gerais. Eles partiam de suas freguesias muito jovens, depois de alfabetizados, e comumente se apoiavam em redes de parentesco e de solidariedade para se inserirem em outras regiões, passando primeiro por Lisboa e depois vindo para a Colônia, onde desembarcavam no Rio de Janeiro. 1 ANTT, IL, Livros de provisões, 108-123; ANTT, HSO.