51 Indústria Cultural, Economia Política da Comunicação e Televisão Pública Vivianne Lindsay Cardoso Juliano Maurício de Carvalho A TELEVISÃO PÚBLICA E SUAS POTENCIALIDADES COM A TECNOLOGIA DIGITAL Desde o seu surgimento, em meados da década de 1940, o conceito de indús- tria cultural tem sido amplamente difundido, contextualizando e caracterizando per is de sistemas capitalistas que envolvem a cultura, a arte e a comunicação, criticando posturas sociais, mercadológicas e políticas adotadas, onde o objetivo é o consumo incessante par obter o lucro destinado a uma minoria hegemônica. Diversas são as teorias e os estudos que trabalham e pesquisam norteados pelos conceitos da indús- tria cultural. Entre elas, a Economia Política da Comunicação, fundada a partir dos conceitos de Karl Marx, que utiliza a indústria cultural para criticar e propor opções alternativas de condutas social, política, cultural e econômica. Ao se pensar na inluência que a comunicação midiática possui em uma socie- dade, o que se propõe aqui é a utilização da televisão - sendo o principal veículo de comunicação difundido no Brasil e com maior capital envolvido – como instrumento de educação, conscientização e participação social, mas de modo alternativo ao modelo arraigado. O que se sugere é a valorização e expansão das televisões pública, educa- tiva, universitária e comunitária em contraponto a televisão comercial. Com a chegada de novas tecnologias ligadas a comunicação, como a internet, o espectador tem aber- to caminhos para o acesso e um espaço no qual pode vir a compreender, aprender, desejar e se tornar um espectador ativo e participativo no processo comunicacional. Diante da transição tecnológica que a televisão vem vivenciando do sistema analógico para o digital, a interatividade passa a ser outro grande atrativo e pode ser criada a possibilidade de o cidadão interessado agir ativamente por meio da televisão pública aplicando novas linguagens, novos formatos e conteúdos que atendam aos interesses da sociedade onde esteja inserido, que não estejam voltadas ao lucro e ao acúmulo de capital e poder tão característicos nos veículos de comunicação inseridos nesta indústria cultural, mas sim voltados à educação, cultura e consciência crítica. A mul- tiprogramação pode se tornar importante instrumento de geração de conteúdo alter- nativo neste processo, segmentando a programação da televisão pública, destinando canais especíicos para tal inalidade. Neste cenário o Estado tem papel fundamental para promover uma regulação que garanta tal direito ao cidadão. Silva e Gobbi (2010) argumentam que a conjuntura atual de transição tecnológi- ca vivenciada no Brasil enseja a democratização da televisão brasileira, modiicando