DOI: 10.4025/4cih.pphuem.508 “ALAGOAS COLONIAL”: IDENTIDADE, SOCIEDADE E PARTICULARIDADES Antonio Filipe Pereira Caetano Prof. Adjunto do curso de História Universidade Federal de Alagoas 1 Província das Alagoas, 02 de junho de 1822. O Brasil se encontrava a quase dois meses do episódio que romperia politicamente os laços com o reino português e suas terras do outro lado do Atlântico. Lá, os membros da Junta Provincial Alagoana escreviam uma carta ao rei D. João VI destacando a realidade local. Diziam os mesmos: A Província das Alagoas se acha em paz e sossego, sem participar dos choques internos que tem grassado pelas diversas províncias deste continente Brasílico, nem ter alguma ingerência nas convulsões políticas que na crise atual se tem desenvolvido. Seus honrados e fiéis habitantes, de acordo com o governo provincial que lhe está deparado, estão empenhados a sustentar espontaneamente essa firmeza de caráter, honra e fidelidade as Leis e Soberania Nacional (...) (AHU, Alagoas Avulsos, Documento 517) 2 . Em primeiro lugar, faziam questão de frisar que os tumultos ou alvoroços que faziam parte da conjuntura brasílica não existiam na região alagoana. Provavelmente esses súditos referem-se às agitações políticas em prol da emancipação, principalmente depois do retorno régio para o reino, em 1821. Tal conjuntura tinha como uma das cabeças a capitania de Pernambuco, que desde a insurreição de 1817 tentava conquistar adesão de outras localidades “nordestinas” como o Ceará, a Paraíba, a Bahia e o Rio Grande do Norte para sua causa. O fracasso da experiência pernambucana esteve extremamente relacionado a não aderência da região sul da capitania (no qual Alagoas fazia parte) as reivindicações de rompimento dos vínculos com o reino luso, culminando, por exemplo, no apoio alagoano a D. João VI e seu posterior desligamento da região Pernambucana (Mello, 2004; Motta, 1972, 1982). Daí, em segundo lugar, entendermos o uso recorrente das expressões como “honrados”, “fiéis habitantes” e “fidelidade as Leis” utilizados pelos súditos alagoanos ao se dirigirem ao monarca. Na verdade, o documento pode ser enquadrado como uma espécie de reafirmação do pacto estabelecido entre D. João VI e os vassalos alagoanos estabelecido em 1817. Era uma maneira de demonstrar que independente do que acontecesse, aquela localidade estaria ao lado de Portugal, pois entendia que isso fazia parte de uma Soberania Nacional. Essa