einstein. 2007; 5(2):184-189 184 Montagner JM, Michelon TF, Schroeder RB, Fontanelle BT, Oliveira ATD, Silveira JG, Graudenz MS, Alexandre COP, Neumann J MEDICAL DEVELOPMENTS ABSTRACT Medical centers that work with transplants often face opportunistic infections that demand specific tools to make diagnosis. The prevalence of latent polyomavirus infections is high, and the most common site of latency of the most prevalent polyomavirus in humans, BK virus (BKV), is the renal tissue. Hence, renal transplanted patients are particularly vulnerable to the damage caused by viral reactivation during immunosupression. In such patients BKV is associated to ureteral stenosis and/or BKV nephropathy, leading to progressive dysfunction and graft loss, often diagnosed as rejection. In other organs recipients (namely lung, liver, heart and pancreas), BKN is also the most important clinical manifestation, whereas in bone marrow recipients the most common is hemorrhagic cystitis. This review presents the viral biology and discusses the pathophysiology of polyomavirus diseases and the diagnostic efficacy of the laboratory tests available, guiding to the best strategy for assessment and monitoring of patients at risk or under specific treatment. Keywords: Polyomavirus; Polyomavirus infections/diagnosis; Virus diseases; Kidney diseases; BK Virus; Transplants RESUMO Centros que trabalham com transplantes freqüentemente deparam-se com infecções oportunistas cujo diagnóstico depende de ferramentas específicas. A prevalência de infecções latentes pelos vírus da família dos poliomavírus é alta e o sítio preferencial de latência do representante mais prevalente em humanos, o BK vírus (BKV), é o tecido renal. Desta forma, os pacientes submetidos a um transplante de rim são especialmente vulneráveis aos danos de uma reativação viral durante a imunossupressão. Nestes pacientes, o BKV tem sido associado a estenose ureteral e/ou a nefropatia associada ao BKV (BKN), que resulta em disfunção progressiva e perda do enxerto, freqüentemente confundido com rejeição. Em receptores de pulmão, fígado, coração e pâncreas, também a BKN é a principal manifestação clínica, enquanto em receptores de medula óssea, o mais comum é cistite hemorrágica. A presente revisão apresenta a biologia viral e discute a fisiopatologia das doenças causadas por poliomavírus e a eficácia diagnóstica dos testes laboratoriais disponíveis, orientando para a eleição da melhor estratégia de investigação e monitorização dos pacientes de risco ou sob terapia específica. Descritores: Polyomavirus, Infecções por polyomavirus/diagnóstico; Viroses; Nefropatias;Vírus BK; Transplantes INTRODUCTION In the age of transplants, management of immunodepressed patients brought with it the need to think of opportunistic infections, responsible for high morbidity and mortality rates of the transplanted population. Bacteria and fungi of low pathogenicity for the immunocompetent population and, most specially, virus that may become Polyomavirus – an emergent pathogen in transplant recipients Poliomavírus – um patógeno emergente para receptores de transplantes Juliana de Moura Montagner 1 , Tatiana Ferreira Michelon 2 , Regina Barbosa Schroeder 3 , Bárbara Tengaten Fontanelle 4 , Alexandre Tavares Duarte de Oliveira 5 , Janaina Gomes da Silveira 6 , Márcia Silveira Graudenz 7 , Cláudio Osmar Pereira Alexandre 8 , Jorge Neumann 9 Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre - FFFCMPA Santa Casa de Porto Alegre - Laboratório de Imunologia de Transplantes 1 Bióloga do Laboratório de Imunologia de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre; Pós-graduanda em Patologia, Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre - FFFCMPA, Porto Alegre (RS), Brasil. 2 Nefrologista do Laboratório de Imunologia de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre; Doutora em Patologia e Pesquisadora PRODOC-CAPES do Programa de Pós-Graduação em Patologia, Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre- FFFCMPA, Porto Alegre (RS), Brasil. 3 Bióloga do Laboratório de Imunologia de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre; Mestre em Clínica Médica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Pós-graduanda em Patologia, Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre - FFFCMPA, Porto Alegre (RS), Brasil 4 Acadêmica de Biomedicina, Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre - FFCMPA, Porto Alegre (RS), Brasil. 5 Médico Veterinário, Doutor em Biologia Celular e Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador PRODOC-CAPES do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Fundação Faculdade Federal de Ciência Médicas de Porto Alegre - FFFCMPA, Porto Alegre (RS), Brasil. 6 Bióloga do Laboratório de Imunologia de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre; Pós-graduanda em Patologia, Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre - FFFCMPA, Porto Alegre (RS), Brasil. 7 Doutora em Patologia pela Universidade de Cambridge; Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Patologia, Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre - FFFCMPA, Porto Alegre (RS), Brasil. 8 Doutor em Ciência pela Universidade de São Paulo, Pró-Diretor da Pós-Graduação e Pesquisa, Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre - FFFCMPA, Porto Alegre (RS), Brasil. 9 Imunologista, Diretor do Laboratório de Imunologia de Transplantes, Santa Casa de Porto Alegre, Porto Alegre (RS), Brasil.