O CASTIGO EXTRAPOLA OS LIMITES DA SALA DE AULA: REPERCUSSÕES DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS ESCOLARES NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO (1870- 1875) 1 Vinicius de Moraes Monção Jucinato de Sequeira Marques Universidade Federal do Rio de Janeiro/PPGE Introdução O uso da palmatória, dos bofetões, dos puxões de orelha, dos empurrões, do trancafiamento em quarto escuro, das cópias obrigatórias de frases com teor moralizantes, entre outros, compõem o arsenal de procedimentos usados, pela escola no século XIX, para a efetivação do processo de escolarização. Os castigos escolares faziam parte das práticas pedagógicas utilizadas por alguns professores no cotidiano escolar, onde a má conduta do aluno ou a resposta equivocada aos exercícios eram corrigidas através de ritos e instrumentos “punição”. O uso do castigo físico como aparato educativo para a manutenção da ordem pode ser visto como marca de uma organização social pautada no controle dos corpos e também como influência de práticas escolares dos chamados “países cultos”, fundamentando o costume e cultura escolar no Brasil já que a sua prática era uma constante. A partir da segunda metade do século XIX é possível perceber no Brasil, através documentação e periódicos da época, o surgimento da proposição de novas formas de efetivação da educação escolar. As discussões e embates sobre a utilização de castigos físicos começou a ser duramente criticado por médicos, higienistas e intelectuais os quais a compreendiam como prática anti-higiênica e responsável por danos ao desenvolvimento da criança e também por marcar de forma negativa a experiência escolar. Para além dos malefícios apresentados, existia ainda a relação estabelecida com a realidade da sociedade escravocrata. A associação apoiava-se na permissão dada pelo Código Criminal de 1830 no qual o uso dos castigos corporais como meio pedagógico era permitido ser aplicável nos sujeitos considerados inferiores na escala social, crianças e escravos. Em vista desse fator, a escola, enquanto expressão da realidade e da organização social, não fugia à regra, apresentando em seu interior traços dessas relações sociais. Nesse período, o uso dos castigos corporais nas escolas, enquanto instrumento dessa prática pedagógica costumeira tornou-se pauta de discussão visando o seu fim. Assim, o acirramento