ͳͲ.ͷͲͲ͹/ͳͺͲ͸-ͷͲʹ͵.ʹͲͳʹvͻnʹpͺʹ v. ͻ – n. ʹ– julho-dezembro/ʹͲͳʹ – ISSN: ͳͺͲ͸-ͷͲʹ͵ 82 Resenha do livro: BUNN, Maria Cristina. Rede como lugar de Potência: o CFEMEA e as Práticas Políticas Mediáticas. São Luiz: FAPEMA, 2012, 279p. REDES REAIS E VIRTUAIS E AS POLÍTICAS DA VIDA Vera F. Gasparetto* O livro da Socióloga Maria Cristina Bunn é resultado da tese de Doutorado em sociologia, defendida na Universidade Federal do Ceará em 2004, na qual a autora pesquisou a utilização do ciberespaço 1 pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA) 2 . A autora reflete teoricamente sobre práticas e potencialidades dos movimentos sociais para a construção de direitos das mulheres em rede de modo a ampliar a cidadania e a democracia. Atualmente Bunn é vinculada à Universidade Federal do Maranhão e atua nos temas redes, hibridismos culturais, movimentos sociais, direitos humanos, cibercultura, sociologia da cultura, entre outros. Entre as questões colocadas pela autora no decorrer de sete capítulos está a busca em compreender os significados e sentidos produzidos por uma cibercultura enquanto geradora de redes de movimentos e se o cenário da Internet, dito como interativo, cooperativo e descentralizado, cria uma nova arena política para os movimentos sociais na rede técnica com a possibilidade de difundir suas reivindicações, estratégias e formas de organização independente de tempo e espaço. Seu objetivo é entender como as redes de movimentos utilizam a Internet e qual o efeito destas sobre os processos políticos, as transformações culturais e a necessidade de pensar “políticas de subjetividade” (BUNN, 2012, p. 115). A era da hipervelocidade reconfigura os campos da comunicação e da cultura, produzindo novas subjetividades e possibilidades não só no acesso e produção de informação, mas na forma de pensar, no processo cognitivo e em relações antagônicas com a máquina (hardware e software): “Se a hipermídia encarna para alguns o cenário sinistro de Matrix, onde *Mestranda do PPGSP - UFSC. Contato: gasparettovera@yahoo.com.br 1 Refere-se ao ambiente da Internet passível de ser caracterizado como tendencialmente interativo, cooperativo e descentralizado. 2 Criada por um grupo de feministas em 1989 para buscar a regulamentação dos direitos da mulher aprovados na Constituição de 1988, com sede em Brasília-DF.