As Novas Políticas de Segurança Pública e os Megaeventos: o Debate Acerca da Pacificação da Cidade do Rio de Janeiro 1 Leonardo Freire Marino 2 “Os fatos só são verdadeiros depois de serem inventados” COUTO, Mia. O Último Voo do Flamingo. 2002, p. 111. Resumo O presente artigo procura articular uma análise critica sobre as novas políticas de segurança pública implantadas na cidade do Rio de Janeiro em virtude dos Megaeventos que a capital fluminense irá sediar. Seu objeto de estudo reside nas chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPS) implantadas em algumas Favelas existentes na cidade. Seu objetivo é mostrar que, atualmente, vivemos um período impar na história da cidade do Rio de Janeiro e que devemos aproveitar tal momento para reformular as políticas públicas implantadas apontando para a construção de uma sociedade mais justa e equânime em que o Estado se manifeste por intermédio de uma lógica de poder que respeita os direitos das camadas mais pobres da sociedade. Uma breve descrição do cenário atual No período que se estende do ano de 2011 até o ano de 2016, a cidade do Rio de Janeiro será o palco de alguns dos mais expressivos eventos internacionais, entre os eles o Encontro Mundial da ONU para o Clima (Rio+20), em 2012, a Copa do Mundo da FIFA, em 2014, e, em 2016, dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Mais do que a simples realização desses eventos, a posição de cidade-sede (anfitriã) tem sido apontada como uma oportunidade única para a transformação da cidade e do modo de vida de seus habitantes. É evidente que o sucesso destes Megaeventos exigirá uma série de intervenções em termos de construção de equipamentos, de oferta de serviços e de acessibilidade que, no final das contas, promoverão mudanças importantes no ambiente urbano. No entanto, autoridades, desportistas, membros da imprensa e da