http://dx.doi.org/10.5007/1806-5023.2014v11n1p91 ___ _______________________________________________________________________ 91 Em Tese, Florianópolis, v. 11, n. 1, jan./jun., 2014. ISSN: 1806-5023 PARA UMA SOCIOLOGIA DO CARISMA NA ATUALIDADE: ENSAIO PARA LEITURA DO CARISMA DE SAMORA MACHEL Hélio Bento Maúngue 1 1. INTRODUÇÃO Apesar de existirem figuras carismáticas na África e, particularmente, em Moçambique, ainda hoje, pouco se estuda sobre a influência que as suas figuras carismáticas exercem na estrutura cotidiana dessas sociedades. Impressionante é como a força do carisma e a exploração racional dele supera a morte física da personalidade carismática, tornando-o, pode-se dizer, “mais vivo” do que quando vivo. Mas como essas personalidades carismáticas continuam influenciando nas formas de ser e estar de seus seguidores e admiradores? Como se alimenta a relação emocional entre o líder carismático e seus seguidores depois de sua morte? Analisar o carisma para além da dominação carismática que a personalidade detém é desafio revigorante para as ciências sociais e particularmente para a sociologia em Moçambique, daí a ideia deste artigo. O conceito weberiano de carisma está ligado a um problema de explicação, por isso, o carisma deve ser visto como um modelo de explicação e como chave sociológica para se compreender os usos e apropriações que se faz atualmente das qualidades extracotidianas que representam as personalidades carismáticas. Samora Moisés Machel (29/09/1933 15/10/1986) é uma figura que marcou, e tem marcado gerações, em Moçambique pelos seus discursos, entrevistas e intervenções apaixonantes (MAÚNGUE et al., 2012) bem como pelo construto social de uma vida dedicada a trazer mudanças na sociedade moçambicana. Neste sentido, falar e refletir 1 Mestrando em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina. Graduado do Centro de Estudos Africanos/Universidade Eduardo Mondlane (CEA/UEM).