1 A PROPÓSITO DA VALÊNCIA GENÉRICA NA WEB: DEBATE POLÍTICO TELEVISIVO, GÊNEROS AVATARES E IRRADIAÇÃO * André William Alves de Assis Universidade Federal de Minas Gerais RESUMO: Apresentamos e problematizamos neste trabalho o conceito de valência genérica, desenvolvido por Maingueneau (2010, 2014). Ancoramo-nos conceitualmente em trabalhos atuais da Análise do Discurso de linha francesa, a partir do objetivo maior de analisar a produção e reprodução de gêneros discursivos, assim como seu percurso no interdiscurso, sua circulação social. Nosso material de análise é composto por um debate político televisivo, discurso oral considerado como núcleo irradiador de outros gêneros, e por gêneros que são (re)produzidos a partir desse núcleo, como tuites e notícias online. Nossa análise problematiza esse percurso em duas perspectivas: uma interna, a partir da produção de avatares diversos; outra externa, em relação ao poder de irradiação na criação de novos gêneros. Os resultados preliminares permitem-nos questionar sobre a hibridização das modalidades escrita e oral em gêneros eminentemente orais, manifesta em uma sequencialidade de produção discursiva de gêneros avatares, normalmente prescritos ou previsíveis, que afetam a prática da oralidade dos atores políticos no debate político televisivo. PALAVRAS-CHAVE: Valência genérica. Debate político televisivo. Avatares. Irradiação. 1 INTRODUÇÃO Como avanço das tecnologias, uma grande quantidade de gêneros está disponível aos analistas do discurso que se veem diante de questionamentos diversos ao se propor a trabalhar com a modalidade de discurso oral. Questiona-se, por exemplo, como os discursos podem ser registrados e se a passagem oral-escrito não os transformam em outros discursos ou outro corpus, qual a melhor forma de tratamento do corpus e agrupamento de corpora, etc. De fato, não se aborda um texto escrito como corpus da mesma forma que se aborda um texto oral. Enquanto o primeiro costuma estar disponível e pronto para ser utilizado como material de análise, o segundo demanda um trabalho de tratamento. Para Sandré (2013, p. 47, tradução nossa 2 ), “[...] a constituição do corpus é então um trabalho muito importante, uma vez que permite lançar as bases do estudo que queremos realizar: é parte integrante da análise do discurso”. Existem muitas diferenças entre as modalidades escrita e oral, tanto no que se refere a sua natureza quanto no que se refere a sua produção, por isso uma abordagem discursiva nesse sentido não pode se restringir ao levantamento das diferenças entre fala x escrita, como se houvesse fronteiras claras e objetivas, nem ao levantamento de ocorrências isoladas. Numa perspectiva discursiva, a oralidade pode ser analisada de formas diversas em relação * XII EVIDOSOL e IX CILTEC-Online - junho/2015 - http://evidosol.textolivre.org 2 "[…] la constitution du corpus est donc un travail très importante puisqu’il permet de poser les jalons de l’étude que l’on veut mener : elle fait partie intégrante de l’analyse du discours.".