Esta comunicação apresenta a análise geométrica e for- mal de abóbadas manuelinas atribuídas ao arquitecto espanhol João de Castilho, realizadas em Portugal apro- ximadamente entre 1509 e 1520. Os resultados revelam uma grande capacidade criativa, inovação na concepção formal e confirmam a standardização na construção. Levantam-se questões relacionadas com o método de projecto e de construção de abóbadas de nervuras, ana- lisadas em paralelo, pois dependem uma da outra. É senso comum que o método de projecto não pas- sava pela secção vertical e que os desenhos em ele- vação das nervuras, em escala reduzida ou verdadeira grandeza, representadas em posição frontal, tinham por objectivo a construção, não a concepção formal. No entanto, uma abóbada definida por uma cadeia ho- rizontal ou por um rampante redondo tem uma in- tenção formal, independentemente do método utiliza- do. A análise das abóbadas de João de Castilho revela claramente a definição da forma a partir da planta e da elevação, com o objectivo de unificação do espaço. Veremos como o posicionamento e mesmo a forma das nervuras variam em função da forma predefinida. Para abordar estas questões seleccionámos abóba- das com diferentes formas. Não as apresentamos por ordem cronológica, mas sim formal. Partimos de for- mas definidas por linhas (cadeias) para formas defi- nidas por figuras (superfícies), horizontais ou curvas. Claustro do mosteiro dos Jerónimos: uma ca- deia horizontal unifica longitudinalmente os tramos. Altar-mor da igreja de Jesus em Setúbal: uma cadeia curva unifica longitudinalmente os tra- mos. Altar-mor da sé de Braga: rampantes curvos geram a forma arredondada da abóbada. Capela norte da igreja dos Jerónimos: um oc- tógono forma uma cúpula no topo da abóbada. Acesso à sacristia do mosteiro de Alcobaça: um hexágono horizontal planifica o tecto. Nave do mosteiro dos Jerónimos: figuras cen- trais formam uma abóbada de berço. Apresentamos para cada abóbada, desenhos par- ciais da planta, um corte transversal e o rebatimento dos arcos das nervuras, um corte longitudinal. As mí- sulas estão designadas pela letra M, os pilares pela letra P, os centros dos arcos pela letra C e as chaves encontram-se numeradas. Acompanham a análise ge- ométrica, uma perspectiva onde salientamos algumas nervuras e chaves, importantes para a compreensão do texto. Os desenhos foram feitos a partir de levan- tamentos, elaborados com recurso a distanciómetro laser e estação total no caso da nave dos Jerónimos. Esta investigação insere-se no âmbito do Doutora- mento em Engenharia na Universidade Católica de Leuven, Bélgica, co-financiada pelo Programa Ope- racional da Ciência e Inovação 2010 e pelo Fundo Social Europeu. Tem por base os estudos efectuados com o Professor José Carlos Palacios Gonzalo, a quem devemos a orientação relativa à análise geomé- trica de abóbadas góticas. Concepção e construção de abóbadas nervuradas análise geométrica e formal Soraya Mira Godinho Monteiro Genin Krista De Jonge Actas del Sexto Congreso Nacional de Historia de la Construcción, Valencia, 21-24 octubre 2009, eds. S. Huerta, R. Marín, R. Soler, A. Zaragozá. Madrid: Instituto Juan de Herrera, 2009