Revista Eletrônica do Programa de Pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero Volume 7, nº 1, Ano 2015 Av. Paulista, 900 – 5º andar CEP 01310-940 – São Paulo - SP Fax: (011) 3170-5891 Tel.: (011) 3170-5880/3170-5881/3170-5883 http://www.facasper.com.br E-mail: faculdade@fcl.com.br Artigo Ficções Filosóficas: a epistemologia subterrânea de Flusser Maria Ribeiro 1 Marcelo Santos 2 Resumo Neste ensaio, entendemos o gesto flusseriano de fabulação como uma escolha epistemológica, certa ação deliberada que converte a hipótese científica em um gênero singular: aquilo que nomeamos ficção filosófica. Ao propor esta leitura, seguimos apenas o próprio Flusser e a sua concepção de que se a língua é a realidade, a ciência é, senão, um aspecto da língua. Tal premissa, as ficções filosóficas flusserianas, caso do Vampyroteuthis Infernalis, constituem mero exercício especulativo, para além de um atestado sobre certa verdade adiabática das coisas. Nosso escrito é fundamentado por revisão crítica de literatura e sugere o entendimento da filosofia ficcional como caminho para o exame heurístico não antinômico do par sujeito/objeto. Palavras-chave Vilém Flusser; epistemologia; ficção filosófica Abstract In this essay, we understand the flusserian gesture of fable as an epistemological choice, a sort of deliberate action that converts scientific hypothesis into a unique genre: what we name philosophical fiction. By proposing this interpretation, we just follow Flusser himself, specifically his claim that language is reality and, therefore, science is nothing but a feature of language. Following this premise, the flusserian philosophical fictions, as the Vampyroteuthis Infernalis, are a mere speculative exercise, unengaged with the adiabatic truth of things. Our work is based on literature review, and we aim to suggest the interpretation of fictional philosophy as a heuristic process to free the pair subjective/objective of its dichotomic assumption. Keywords Vilém Flusser; epistemology; philosophical fiction Resumen En este ensayo, entendemos el gesto flusseriano de la fábula como una opción epistemológica, una especie de acción deliberada que convierte hipótesis científica en un género único: lo que llamamos ficción filosófica. Al proponer esta interpretación, sólo seguimos Flusser, concretamente su afirmación de que el lenguaje es la realidad y, por lo tanto, la ciencia no es más que una característica del lenguaje. Persiguiendo esta premisa, las ficciones filosóficas flusserianas, como lo Vampyroteuthis Infernalis, son un mero ejercicio especulativo, sin compromisos con la verdad adiabática de las cosas. Nuestro trabajo se 1 Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. E-mail: donamariaribeiro@gmail.com 2 Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. E-mail: masmoraes@casperlibero.edu.br