Sob um novo pontodevista: as pessoas como esculturas e a cultura do objeto Andressa Carmo Pena Martinez Arquiteta, PROURBFAU/UFRJ [...] famílias de objetos são interpretadas como unidades espaciais integrais. Em contraste, objetos pontuais desfazem a ordem tradicional através de estados de individualidade (AMIDON, 2001, p. 56). Em momentos alternados e não lineares, a arte rivaliza com a arquitetura e reivindica sua expressão como forte manifestação artística no espaço livre público. Em outros, artearquitetura tornamse extensão, complemento e hibridizamse no estreito limite da dicotomia secular da lógica kantiana: utilidade/beleza; temporalidade/ durabilidade. A arte, no contexto da Cidade, é compreendida como emoção, sensibilidade, diálogo, interlocução, independentemente de sua manifestação através de objetos arquitetônicos ou de tradicionais meios de expressão artística. Distante da discussão sobre o papel ou contribuição da arquitetura na arte (ou como arte), no entanto, tornase relevante, para a prática contemporânea, a discussão sobre a validade e obsolescência da esculturamonumento como tradicional veículo (objeto) artístico no espaço livre público. Vossa Alteza, [...] os monumentos históricos que cobrem o solo da França causam admiração e inveja à Europa Erudita [...] tal é o espetáculo que nos oferece esse maravilhoso encadeamento de nossas antiguidades nacionais e que faz de nosso solo tão precioso objeto de pesquisas e estudos (...). A França não pode ficar indiferente a essa parte notável de sua glória.(carta enviada ao rei francês em 21 de outubro de 1930, por Guizo, Ministro do Interior (apud CHOAY , 2001, p. 259261) A escultura possui, desde a Antiguidade, o importante status de monumento (figura 01); ela apõe sobre o espaço público um alto valor, símbolo de honra e admiração no contexto de uma cidade. Poucas são as praças antigas em que não repousam esculturas, silenciosamente, como marco de tempos gloriosos, concentrando em um único objeto o engenho e a criatividade do labor humano, aliados à responsabilidade de conter fragmentos da memória urbana. Mantidas em seu pedestal, em seu espaço estritamente fixo e determinado, são ‘condenadas’ a assistirem estaticamente à mutação gradual e contínua da Cidade. Apesar de testemunhos da passagem do tempo, a memória urbana reside em si como objeto mudo, em esculturas que pouco dialogam com os usuários do espaço. Sem autonomia,