466 Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 19, n. 40, p. 466-470, jul./dez. 2013 Célia da Graça Arribas PRANDI, Reginaldo. Os mortos e os vivos : uma introdução ao espiritismo. São Paulo: Três Estrelas, 2012. 116 p. Célia da Graça Arribas * Universidade de São Paulo – Brasil Kardecismo e umbanda: duas religiões brasileiras Quando Reginaldo Prandi, um dos principais estudiosos das religiões brasileiras, começou a trabalhar como cientista social no Cebrap, em 1971, um dos seus primeiros temas de pesquisa foi precisamente o espiritismo, num projeto dirigido por Cândido Procópio Ferreira de Camargo que deu origem às primeiras publicações sobre as religiões mediúnicas. 1 Desde então, Prandi vem trabalhando na área de sociologia da religião e conta hoje com uma ex- tensa lavra de mais de 30 livros. Nenhum deles, porém, havia privilegiado analisar especicamente o espiritismo, tarefa a que Reginaldo se dedicou ago- ra, 40 anos depois daquele começo, com a publicação de Os mortos e os vivos: uma introdução ao espiritismo. Com mão leve e preocupado apenas em apresentar em linhas gerais o desenvolvimento do espiritismo no país, o sociólogo oferece ao leitor uma análise sócio-histórica de duas religiões que ganharam lugar no espaço da diferenciação religiosa brasileira: o kardecismo, “religião discreta” da classe média, e a umbanda, religião tipicamente brasileira que adquiriu em nossa história republicana um signicado importante para a compreensão da nossa cultural plural. Mas, embora a umbanda tenha inegavelmente se beneciado desse status, o que Prandi nos fala em seu livro é que ambas as crenças – tanto o kardecismo quanto a umbanda – dizem muito sobre o país. As duas, por es- sas bandas, se desenvolveram de forma bastante peculiar: uma porque nasceu * Doutoranda em Sociologia. 1 Cf. Camargo (1961, 1973).