Revista do Programa de Pós-graduação em Comunicação Universidade Federal de Juiz de Fora / UFJF ISSN 1981- 4070 Lumina 1 Vol.9 • nº1 • junho 2015 Abandono afetivo: registros midiáticos da vida privada, Renata Tomaz 1 Resumo: Este trabalho parte da curiosidade de entender como o termo abandono afetivo, que ganhou certo destaque na mídia com o assassinato do menino Bernardo Boldrini, em abril deste ano, foi enquadrado pela mídia. O objetivo dessa reflexão é apontar condições de possibilidade através das quais se possa compreender a emergência de tal conceito. Além de pensar como sua disseminação midiática colabora para que experiências afetivas privadas circulem cada vez mais no espaço público, de modo a qualificar as demonstrações de afeto, vinculando-as a valores contemporâneos prementes. Para tanto, foram analisadas duas matérias: uma do jornal Zero Hora, que aborda os sinais de abandono afetivo no caso Bernardo Boldrini, e outra do Fantástico, que trata a condenação de um pai, pelo STF, por negligência afetiva. A análise permitiu observar fortes elementos de valorização dos investimentos afetivos na vida dos filhos, especialmente por parte do pai, identificado não só como a figura de autoridade e provisão, mas como um elemento fundamental nos processos de socialização da criança, no interior da chamada cultura terapêutica. A interpretação de que receber atenção, carinho e cuidados diários implica um direito e uma necessidade do filho, dessa forma, chancela uma compreensão que tem sua gênese nesse contexto específico, em que os indivíduos são resultado de um núcleo psicológico que precisa de investimento. Sendo assim, o abandono afetivo se configura mais do que um termo jurídico que circula nos aparatos midiáticos. Ele se constitui, antes, como sinal discursivo de uma dada cultura. Palavras-chave: abandono afetivo; emoções; família afetiva; mídia; paternidade. Abstract: This work comes from the curiosity to understand how the term emotional distance, which gained some attention in the media with the murder of the boy Bernardo Boldrini, in April this year, has been framed by the media. The purpose of this discussion is to point out the conditions of possibility through which it is possible to understand the emergence of that concept. Besides thinking how its media dissemination collaborates for private affective experiences move increasingly in the public sphere, in order to qualify the statements of affection, linking them to pressing contemporary values. For this purpose, we analyzed two articles: the first one in newspaper Zero Hora, which addresses the signs of emotional 1 Doutoranda em Comunicação e cultura pela Escola de Comunicação da UFRJ. E-mail renatactomaz@gmail.com.