EUA, Israel e o Conselho de Segurança por Luiz Fernando Horta Em 29 de janeiro de 2013 o Ministro das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor afirmou After a series of votes and statements and incidentes we have decided to suspend our working relations with that body”, tornando pública a decisão de Israel de não mais participar da reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, sendo o primeiro país na história a tomar tal atitude. O que impressiona (MEARSHEIMER e WALT, 2007, p. 37) é a postura dos EUA que, apesar disso, mantém uma ajuda anual de mais de 154 bilhões de dólares ao Estado de Israel (MEARSHEIMER e WALT, 2007, p. 24-26). Este episódio também não deve afetar tal relação uma vez que “That aid is largely unconditional: no matter what Israel does, the level of support remains for the most part unchanged” (MEARSHEIMER e WALT, 2007, p. 7). Tal postura em relação a Israel é, segundo os autores, devida a um lobby israelense existente na sociedade americana e cujos interesses são diferentes dos interesses americanos: “The Israel lobby has succesfully convinced many Americans that American and Israeli interests are essentially identical. In fact, they are not.” (MEARSHEIMER e WALT, 2007, p. 8). Este artigo questiona a tentativa de Mearsheimer e Walt de diminuir a responsabilidade dos norte-americanos sobre a política do país para o Oriente Médio, estabelecendo uma “poderosa” força externa aos interesses americanos. Ainda que a existência do lobby fique patente na argumentação dos autores, não se pode aceitar a argumentação de Mearsheimer e Walt em função da história: não é a primeira vez que os EUA apoiam regimes que flagrantemente violam direitos humanos durante muito tempo e não se tem notícia de “lobbies” a favor da África do Sul, Rhodesia, por exemplo. Entende-se que a tentativa de eximir-se (ou minorar) a responsabilidade dos tomadores de decisão americanos é o início de um movimento que pretende afastar-se da responsabilidade de ter suportado por tanto tempo as decisões do Estado de Israel. Num momento em que a dívida americana atinge patamares quase insustentáveis (fruto de uma política externa ingerente) é urgente uma redução de custos e, especialmente, aqueles que rendam maior ganho político interno. Nesse sentido, parece que a intenção dos autores é preparar a opinião pública norte-americana para uma redução drástica da ajuda dada a Israel usando o duplo argumento de que tal Estado viola o direito internacional e manteve um “lobby” que “obrigava” ao governo americano atitudes diferentes das que ele tomaria “But we argue that it is time to treat Israel like a