BOLETIM TÉCNICO-CIENTÍFICO DO CEPENE 99 1 Bolsista do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC. E-mail: titobiomar@hotmail.com 2 Professor Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas (DCET) da UESC. DINÂMICA DA FROTA PESQUEIRA SEDIADA NA CIDADE DE ILHÉUS, ESTADO DA BAHIA 1 Márcio Luiz Vargas Barbosa Filho 2 Maurício Cetra RESUMO Durante o ano de 2005 coletaram-se informações referentes à frota pesqueira de Ilhéus (Bahia) com o objetivo de caracterizar fisicamente as embarcações. A frota pesqueira está voltada essencialmente para o arrasto de camarão e para pesca de peixes com linha. Classificaram-se as embarcações do antigo porto de Ilhéus como pesca comercial de médio porte artesanal, por possuírem instrumentos para navegação, comunicação e prospecção de pescado e suas características físicas favorecem o deslocamento para pesqueiros mais distantes e pescarias com maior duração. As embarcações da Barra do Itaípe, São Miguel, Pontal e Prainha utilizam rede de arrasto simples e linha para peixes e realizam pesca comercial de pequeno porte artesanal, face à característica restritiva de atuação e defasagem tecnológica. A análise do deslocamento geográfico e batimétrico da frota revelou sobreposição entre a prática pesqueira das embarcações camaroneiras e aquelas preparadas para captura de peixes, devido a defasagem tecnológica e baixa autonomia de navegação por parte da frota que exerce pesca artesanal de pequeno porte, inviabilizando a pesca em áreas mais profundas e em regiões mais distantes. A pesca de peixes em Ilhéus não é aleatória, pois os pescadores optam pelos melhores pesqueiros. Sob o ponto de vista da ecologia humana, a teoria do forrageamento ótimo explica a opção dos pescadores em atuar nos pesqueiros mais ricos, aumentando o lucro por pescaria. Além disso, a prática da pesca não-aleatória diminui a necessidade de deslocamento, minimizando o custo da prática pesqueira. Palavras-chave: dinâmica da frota, caracterização das embarcações, pesca artesanal, Ilhéus, Bahia. ABSTRACT Dynamics of the fishing fleet based at Ilhéus, Bahia State, Brazil During the year 2005 information regarding the fishing fleet of Ilhéus (BA) had been collected in order to structurally characterize the boats. The fishing fleet is used essentially to catch shrimp with nets and for line- fishing. The boats of the old port of Ilhéus had been characterized as medium scale artisanal commercial fishery boats, for possessing instruments for navigation, communication and fishing prospects and whether its physical characteristics favor the displacement of far away fishing boats and long term fishing. The boats of the Barra do Itaípe, São Miguel, Pontal and Prainha use trawl nets - which are dragged along the ocean floor- or fishing-lines, and carry out small scale artisanal commercial fishing, despite the restrictive characteristic of performance and technological imbalance. The analysis of the geographic and bathymetric displacement of the fleet revealed overlapping between the shrimp catching boats and those designed to capture fish. This is due to technological discrepancy and the low autonomy of navigation of the fleet that practices small scale artisanal fishing, making it impracticable to fish in deep-water areas and in distant regions. From the point of view of human ecology, the theory of the best foraging explains the fishermen's choice of fishing in the richest fishing grounds, thereby increasing the profit for fishing. Moreover, the practice of non-random fishing reduces the need for displacement, minimizing the operational fishing costs. Key words: fleet dynamics, characterization of fishing craft, small-scale fisheries, Ilhéus, Bahia State.