1 Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2013. ISSN 2179-510X FEMINARIA MUSICAL: GRUPO DE PESQUISA E EXPERIMENTOS SONOROS Laila Rosa 1 Eric Hora 2 Laurisabel Silva 3 Resumo: O presente trabalho apresenta um pouco das pesquisas e atividades artísticas realizadas pelo Feminaria Musical, grupo da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia que integra a linha de pesquisa Gênero, Cultura e Arte do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM/UFBA). O grupo emergiu a partir da necessidade de se criar um espaço de discussão, reflexão, experimentação e intervenção artística a partir de parâmetros etnomusicológicos feministas e pós-coloniais. Com apenas um ano de existência, o grupo tem agregado professor@s e alun@s de diferentes áreas e também artistas colaborador@s de “fora” da academia. Nas nossas produções, intervenções e performances consideramos a importante articulação entre gênero, sexualidade, raça/etnia, geração e outros marcadores sociais que delineiam corporalidades e lugares de falas específicos e enfrentamentos às matrizes de desigualdades em relação ao cultural e ao musical. Buscamos assim, dialogar com propostas que questionem e rompam com padrões culturais e artísticos racistas, sexistas e heteronormativos, criando assim, um espaço alternativo para nós mesm@s que fazemos parte do grupo e que temos identidades e trajetórias tão distintas. Palavras-chave: Gênero, raça e sexualidade Produção de conhecimento sobre mulheres e música no Brasil - Música/etnomusicologia O presente artigo pretende oferecer um panorama geral sobre o Feminaria Musical: grupo de pesquisa e experimentos sonoros (FM) que “oficialmente” nasceu a partir do projeto de pesquisa “Feminaria Musical ou epistemologias feministas em Música no Brasil” 4 : Esta pesquisa tem como objetivo geral mapear e gerar estudos, dados e registros sobre mulheres, representações de feminino na música, feminismo e música no campo da etnomusicologia em contexto brasileiro, tendo como foco o contexto soteropolitano. Através de um levantamento sobre quais tipos de abordagens teóricas têm sido adotadas e/ou produzidas para minimizar a invisibilidade feminina nas pesquisas sobre música, a ideia é discutir de forma crítica sobre epistemologias acerca de música e das dinâmicas nas relações de gênero, raça e etnia, classe, sexualidade e geração que situam experiências diversas dos seus sujeitos musicais, onde em muitos momentos, estes sujeitos representam alteridades históricas em relação à hegemonia androcêntrica, heteronormativa e patriarcal branca (SEGATO, 2002; SOVIK, 2009; ANZALDÚA, 2005). O projeto buscará dialogar com a bibliografia existente dentro dos grandes eixos temáticos etnomusicologia-cultura-feminismo, a fim de discutir a importante questão das epistemologias ideologicamente construídas. O ponto de partida consiste no fato de que, ao mesmo tempo em que se reconhece o importante papel da música na sociedade, se estabelece a invisibilidade das mulheres nas pesquisas sobre música. O mesmo (ainda) 1 Musicista e etnomusicóloga. Profa Dra da Escola de Música da UFBA e pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher (NEIM/UFBA), Salvador-BA. 2 Músico e mestrando em etnomusicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Música da UFBA com bolsa CNPq de mestrado. Tutor da pesquisa “Feminaria Musical ou epistemologias feministas em Música no Brasil”, Salvador- BA. 3 Musicista e mestranda em etnomusicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Música da UFBA, com bolsa CAPES de mestrado. Tutora da pesquisa “Feminaria Musical ou epistemologias feministas em Música no Brasil”, Salvador- BA. 4 Projeto de iniciação científica aprovado pelo Programa Permanecer/UFBA (2012).