, v. 2, n. 1, p. 77-81, jan.-jun. 2015 77 PINHEIRO-MACHADO, Rosana. China, passado e presente: um guia para compreender a sociedade chinesa. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2013. 248 p. Matheus Oliva da Costa Mestrando em Ciência da Religião Pontifícia Universidade Católica de São Paulo matheusskt@hotmail.com Matheus da Cruz e Zica Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões Centro de Educação, Universidade Federal da Paraíba matheusczica@gmail.com Rosana Pinheiro-Machado, antropóloga reconhecida nas ciências sociais, em âmbito brasi- leiro e internacional, em 2013 realizou uma importante contribuição à sinologia lusófona. Seu livro, China, passado e presente, tem como ponto forte a sensibilidade de antropóloga para ler a formação histórica chinesa e suas recentes transformações. Ao contrário da tendência de focar em grandes feitos, o livro consegue abranger costumes culturais populares, relações interétnicas, relações de gênero, críticas políticas, sem perder de vista eventos importantes mais gerais do Império do Meio. Um dos fatores que mais qualifica sua obra é a capacidade e disponibilidade que a autora tem de produzir uma leitura da China e da situação mundial atual a partir de uma visão estruturada nos próprios referenciais e parâmetros chineses, o que para o leitor brasileiro é algo bastante inovador e um exercício necessário. Para tanto, a autora precisou de certa ousadia, de forma que tentou não somente sintetizar mais de quatro mil anos de história, mas também tecer importantes comentários para a compre- ensão da China contemporânea. Não é por acaso que há desde o início a irônica frase de um dos importantes sinólogos que influenciam este livro, John Fairbank: “Conectar o passado da China com o seu presente pode ser uma tarefa divertida. Em meio a um cenário de especialização, um pesquisador responsável veria muitas falhas em fazer comparações amplas como essas. O que nós precisamos, portanto, é uma pitada de irresponsabilidade”. Tal raciocínio pode ser notado ao longo de toda a obra, já que um dos objetivos é justamente mostrar a ligação entre o passado histórico chinês e suas recentes reestruturações. Assim, trata-se de um livro elegantemente ir- responsável. Através desta obra, Pinheiro-Machado deseja que os/as leitores/as encontrem ferramentas para entender a cultura chinesa e suas múltiplas expressões. Evitam-se assim respostas apressa- das sobre a China, como ‘a China quer dominar o mundo’. Ainda que, por outro lado, como está escrito na orelha do livro, desde 1949 este país tem papel central nos acontecimentos políticos mundiais do século XX e XXI, sobretudo no que concerne às expectativas internacionais sobre o papel e importância do socialismo ou capitalismo como modelo de sociedade. Além de tudo isso, o livro foi escrito com um tempero especial: ele é dedicado ao leitor brasileiro, de forma que se diferencia qualitativamente de obras traduzidas que, ainda que te- nham boa qualidade, miram um público europeu e norte americano e falam a partir de pressu- postos distintos dos nossos. Somado a isso, o livro tem a contribuição de vários outros especia- listas em temas que relacionam culturas chinesas e o Brasil, com ênfase nos aspectos comerciais