16/09/2015 Em nome da redenção? Sobre a violência revolucionária em Walter Benjamin http://www.herramienta.com.ar/print/coloquiosyseminarios/emnomedaredencaosobreviolenciarevolucionariaemwalterbenjamin 1/10 Publicado en Herramienta (http://www.herramienta.com.ar ) Inicio > Em nome da redenção? Sobre a violência revolucionária em Walter Benjamin Em nome da redenção? Sobre a violência revolucionária em Walter Benjamin Em nome da redenção? Sobre a violência revolucionária em Walter Benjamin Fernando Araújo Del Lama[1] (Universidade de São Paulo) dellama.f@gmail.com Tratase de propor uma reflexão a partir do tema benjaminiano da violência revolucionária, buscando relacionálo com os conceitos de redenção, democracia e utopia. É verdade que tal tema recebeu pouca atenção em meio aos estudos a respeito do filósofo alemão, provavelmente pela vagueza conceitual com a qual o próprio Benjamin o trata. No entanto, como se pretende esclarecer ao longo do texto, ele possui um papel fundamental para a compreensão adequada do diagnóstico de tempo produzido por Benjamin: segundo ele, não há possibilidades emancipatórias plenas se há ainda opressão, seja ela econômica, oriunda das classes detentoras dos meios de produção em relação ao proletariado, seja ela política, oriunda dos governos totalitários em relação às minorias discordantes da ideologia vigente. Em meio a esse cenário, tanto o fetichismo da mercadoria quanto a maquinaria propagandística fascista contribuíam decisivamente para a manutenção da opressão, já que são poderosos instrumentos mobilizados em favor dos agentes opressores. Estes, estando solidamente estabelecidos, dificilmente estarão dispostos a negociar ou ceder quaisquer avanços emancipatórias para as classes oprimidas, de modo a manter sua condição de dominação, de vencedores que triunfaram na História. Se as tentativas de negociação pacífica – à semelhança das estratégias da socialdemocracia, por exemplo – se mostram ineficazes, trazendo uma falsa impressão de ganhos emancipatórios e corroborando com a manutenção da dominação, resta apenas, diante de um adversário poderoso e articulado, reagir de maneira firme, enérgica, mas organizada. Como agir nesse contexto? Numa palavra: valendose da violência revolucionária, único meio para a eliminação das fontes de opressão, abrindo o horizonte para a consumação efetiva da redenção. Nas próximas seções, serão evidenciados alguns aspectos centrais desta problemática, iniciando pela gênese do conceito em meio ao seu contexto teórico de juventude aos ecos em sua filosofia derradeira; em seguida, estes aspectos serão relacionados a outros elementos da filosofia benjaminiana desenvolvida na década de 30. Violência revolucionária: vicissitudes da juventude à maturidade É verdade que a violência revolucionária (revolutionäre Gewalt) não é um conceito formulado sistematicamente, tampouco se insere numa rede conceitual mais complexa, tal como as noções de violência mítica e de violência divina, por exemplo, amplamente desenvolvidas no ensaio Para a crítica da violência. Há uma única ocorrência desta expressão em toda a obra de Benjamin[2] , no último parágrafo deste mesmo ensaio, no qual ele diz: Se, no presente, a dominação do mito já foi aqui e ali rompida, então o novo não se situa num ponto de fuga tão inconcebivelmente longínquo, de tal modo que uma palavra contra o direito não é inteiramente inócua. Mas se a existência da violência para além do direito, como pura violência imediata, está assegurada, com isso se prova que, e de que maneira a violência revolucionária – nome que deve ser dado à mais alta manifestação da violência pura pelo homem – é possível[3] (Benjamin, GS II1: 202[2011: 155]).