Os sentidos de semântica lingüística nos primeiros estudos de Oswald Ducrot Ana Cláudia Fernandes Ferreira 1 1 Instituto de Estudos da Linguagem – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) hannaclau@yahoo.com.br Resumo. Analiso os processos de designação de ‘semântica lingüística’ em O. Ducrot (1969, 1972 e 1973). Busco, com isso, dar visibilidade aos sentidos relacionados a ‘semântica lingüística’ antes de sua estabilização como nome da teoria do autor. Além disso, procuro mostrar como a introdução de questões consideradas extralingüísticas na teoria ducrotiana daquele momento tinham um espaço bastante restrito. Palavras-chave. Semântica lingüística; processos de designação. Abstract. I analyse the processes of the designation of ‘linguistic semantics’ in Ducrot (1969, 1972 and 1973). I seek in this way, to give to visibility to the senses of ‘linguistic semantics’ before its stabilization as name of the author’s theory. Moreover, I intend to show how the introduction of certain questions, considered extralinguistic in Ducrot’s theory at the time, had an restricted space in his writings. Keywords. Linguistic semantics; processes of designation Introdução Este trabalho é parte de minha pesquisa sobre a história da semântica no Brasil. Mais especificamente, sobre a história da semântica argumentativa nas produções de Carlos Vogt e Eduardo Guimarães, nas décadas de 70 e 80 (processo Fapesp, n°. 02/12649-7). Este estudo se insere no interior do projeto interinstitucional História das Idéias Lingüísticas no Brasil (HIL) 1 . Nele, filio-me à semântica histórica da enunciação proposta por Eduardo Guimarães, buscando, assim como o autor, um diálogo com a análise de discurso proposta por M. Pêcheux e E. Orlandi, dentre outros 2 . Realizarei, aqui, uma análise dos processos de designação de semântica lingüística em O. Ducrot (1969, 1972 e 1973). Para esta análise trabalharei com os conceitos de reescrituração e de articulação, que são definidos por E. Guimarães em relação à textualidade. Segundo o autor, os procedimentos de reescrituração “são procedimentos pelos quais a enunciação de um texto rediz insistentemente o que já foi dito” (Guimarães, 1999: p. 4) e que, ao redizer, produz uma deriva de sentidos. E os procedimentos de articulação “dizem respeito às relações próprias das contiguidades locais. De como o funcionamento de certas formas afetam outras que elas não redizem” (Guimarães, 2004: p. 8). Através da análise dos procedimentos de reescrituração e de articulação será possível observar como vai se configurando um certo domínio semântico de determinação (DSD) para os sentidos de semântica lingüística. E. Guimarães (2004) define DSD a partir da noção de determinação que, segundo ele, Estudos Lingüísticos XXXIV, p. 1128-1133, 2005. [ 1128 / 1133 ]