2565 EVOLUÇÃO MICROESTRUTURAL DURANTE A DEFORMAÇÃO A QUENTE POR TORÇÃO DE UM AÇO INOXIDÁVEL DÚPLEX: UMA ABORDAGEM QUANTITATIVA. C. C. M. Decarli, A. M. Jorge Jr., O. Balancin Rodovia Washington Luiz Km. 235, São Carlos/SP, CEP: 13565-905 - balancin@power.ufscar.br Departamento de Engenharia de Materiais – Universidade Federal de São Carlos Durante a deformação a quente de materiais bifásicos, o comportamento plástico desses materiais não depende apenas da fração volumétrica e das características de cada uma das fases, mas também da morfologia e distribuição das fases, além da natureza das interfaces. Neste trabalho, amostras de um aço inoxidável dúplex (22,2Cr – 5,6Ni – 3Mo – 0,12N) foram deformadas através de ensaios de torção a 1200 °C com taxa de deformação de 1 s -1 . As curvas de escoamento plástico determinadas apresentam uma forma particular: após um carregamento rápido, a tensão aumenta com a deformação de uma forma aproximadamente linear, até que um máximo seja alcançado, e em seguida decresce continuamente até a fratura do corpo de prova. Observações microestruturais indicam que as placas de austenita que estavam alinhadas com o eixo do corpo de prova se alinham com a direção da tensão principal e giram conforme a deformação prossegue. Medidas do ângulo médio de rotação e da variação da forma das partículas indicam que além dos mecanismos de endurecimento e de amaciamento que atuam em cada uma das fases, tem-se a concentração de deformação na ferrita e o mecanismo de deslizamento de contorno de fases é ativado durante a deformação plástica. Palavras-Chaves: Deformação a Quente, Aço Bifásico, Curva de Escoamento Plástico. INTRODUÇÃO Os aços inoxidáveis dúplex, com teores de cromo na faixa de 22 a 28% e níquel entre 3 a 8%, solidificam-se com estrutura ferrítica em temperaturas próximas a 1430 °C e tornam-se bifásicos durante o resfriamento com a transformação α→ γ por reação no estado sólido. Usualmente, durante o processamento a quente, esses aços são aquecidos até 1250 °C e deformados em seqüências de passes por laminação ou forjamento com a temperatura decrescendo até valores próximos a 1000 °C. Nesta faixa de temperaturas ocorre a transformação de fase com a nucleação e crescimento de partículas de austenita em contornos e dentro dos grãos da matriz ferrítica. (1) A presença de uma segunda fase massiva durante o processamento a quente torna o processo de deformação plástico mais complexo e a microestrutura desempenha um papel decisivo na conformação do material. (2) É bem conhecido que, durante a deformação após um dado encruamento, aços inoxidáveis ferríticos monofásicos têm a tendência a amaciar intensamente por recuperação dinâmica, enquanto que os aços inoxidáveis austeníticos monofásicos tendem a se recristalizarem dinamicamente após uma quantidade relativamente pequena de recuperação dinâmica. Quando deformados com a temperatura e a taxa de deformação constantes, a tensão de escoamento aumenta com o encruamento inicial e torna-se constante no estado estacionário, para os aços ferríticos, e alcança um máximo antes de decrescer para o estado estacionário nos aços inoxidáveis austeníticos. (3,4) Quando as duas fases são deformadas conjuntamente em materiais bifásicos, tem sido observado que a ferrita mantém a tendência a se recuperar extensamente, enquanto que a austenita tende a se recristalizar dinamicamente. Medidas experimentais realizadas através de ensaios de torção a quente têm mostrado que a curva de escoamento plástico desses aços exibe uma forma característica. (5,6) A tensão aumenta com a deformação, após um carregamento rápido, de uma forma aproximadamente linear até que um máximo seja encontrado, decrescendo após um certo patamar. Embora os aços bifásicos apresentem um comportamento plástico bastante complexo, alguns autores (7) têm associado o máximo de tensões observado na curva de escoamento plástico a recristalização dinâmica da austenita. Tendo em vista que os contornos de fases têm um papel importante na