I Seminário Internacional de Ciência Política Universidade Federal do Rio Grande do Sul | Porto Alegre | Set. 2015 Extrema direita e os “perdedores da globalização”: análise do voto em Marine Le Pen nas presidenciais francesas de 2012 Aline Burni 1 Resumo Este artigo discute os fatores que melhor elucidam a lógica da preferência eleitoral a favor do partido de extrema-direita francês Frente Nacional nas presidenciais de 2012, particularmente verifica o efeito dos valores na preferência pela candidata Marine Le Pen, que conquistou 17,9% dos votos no pleito em questão, posicionando-se em terceiro lugar. A hipótese central é de que as orientações valorativas dos eleitores são fundamentais para compreender este tipo de escolha eleitoral, particularmente a oposição ao fenômeno da globalização e seus efeitos, como a imigração e a União Europeia. Realizou-se uma análise de regressão logística multinomial, em que a variável dependente foi o voto para presidente no primeiro turno de 2012 e as variáveis independentes foram extraídas das teorias explicativas do comportamento eleitoral: sócio-demográficas (sexo, idade, escolaridade, religião e profissão), ideologia, preferência partidária, satisfação com o funcionamento da democracia, confiança nos políticos, avaliação da economia, voto para presidente em 2007 (1º turno), euroceticismo, xenofobia e conservadorismo. Conforme esperado, identifica-se que as preferências políticas e culturais dos eleitores ancoram o voto na extrema-direita, que não pode ser explicado simplesmente a partir de avaliações econômicas ou visto como um voto temático, mesmo em um momento de crise. Palavras-chave: Extrema-direita; Frente Nacional, comportamento eleitoral, presidenciais, França. Introdução Muitas democracias contemporâneas têm enfrentado o desafio da crescente popularidade de partidos da extrema-direita nas últimas décadas. Estes partidos, caracterizados pela ideologia nativista, populista e autoritária (MUDDE, 2007) representam uma nova família ideológica que se orienta, sobretudo, pelas questões culturais que têm ganhado importância nos diferentes eleitorados. O caso francês é um dos mais estudados dentro do tema, posto que a Frente Nacional é o partido mas longevo da família ideológica, tem ganhado protagonismo no cenário político e adota um discurso culturalista moderno (BORNSCHIER, 2010). Estudos que buscam compreender o apoio eleitoral direcionado à extrema-direita evidenciam que não necessariamente os elementos que classicamente explicam o voto nos partidos tradicionais de esquerda e de direita, como a classe social e as preferências econômicas, por exemplo, são determinantes para a escolha por estes 1 Doutoranda em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Ciência Política (UFMG) e bacharel em Ciências Sociais (UFMG). Pesquisadora do Grupo Opinião Pública: Marketing Político e Comportamento Eleitoral, coordenado pela Profa. Dra. Helcimara de Souza Telles. E-mail: alineburni@gmail.com