Análise experimental de argamassas de terra com cais e fibras naturais Maria Idália Gomes ISEL/IPL Portugal idaliagomes@dec.isel.ipl.pt Teresa Diaz Gonçalves LNEC Portugal teresag@lnec.pt Paulina Faria FCT/UNL Portugal paulina.faria@fct.unl.pt Resumo: Pretende-se desenvolver e caracterizar argamassas de terra eficientes para reparar anomalias em paredes de taipa. As argamassas estudadas utilizam uma terra comercial (constituída maioritariamente por argila), bem como outros componentes, nomeadamente areia, cal aérea ou cal hidráulica e fibras vegetais. Estas argamassas foram caracterizadas, no estado fresco, em termos de consistência por espalhamento e massa volúmica aparente e, no estado endurecido, relativamente à retracção linear e volumétrica, absorção de água por capilaridade, secagem, módulo elasticidade dinâmico e resistência à tracção por flexão e à compressão. Palavras-chave: argamassas de terra, cal área, cal hidráulica natural, fibras vegetais, ensaios de caracterização. 1. INTRODUÇÃO Existe um património edificado de taipa bastante significativo em Portugal. Parte desse património encontra-se ao abandono, necessitando de conservação. Nas últimas décadas começaram também a surgir novas construções de taipa, devido às vantagens ambientais deste tipo de construção e às suas boas características térmicas e acústicas. Verifica-se porém que, especialmente na reabilitação e manutenção, não são muitas vezes tomadas em consideração as exigências de compatibilidade entre materiais. Este facto deve-se em larga parte ao desaparecimento do chamado “saber-fazer” (em termos de práticas de construção e de manutenção). É bastante comum verem-se edifícios de taipa onde foi efectuada a aplicação de argamassas de uso corrente, com base em cimento, na tentativa de colmatar lacunas decorrentes da degradação, mais ou menos profunda, das paredes. Esta prática veio a