TRAJETÓRIA INTELECTUAL E PRÁTICAS LETRADAS DE UM ROMANCISTA VITORIANO: BRAM STOKER (1847-1912) Evander Ruthieri da Silva (Mestrando em História PPGHIS/UFPR) Palavras-chave: Bram Stoker; trajetória intelectual; história e literatura. No final da década de 1870, o romancista anglo-irlandês Bram Stoker (1847-1912) deixou sua cidade natal de Dublin após receber um convite do ator inglês Henry Irving, para ocupar funções administrativas junto ao Lyceum Theatre em Londres. Iniciava-se naquele momento algo que poderíamos considerar como uma fase londrina de produção intelectual do literato, que se espraiava pelas atividades esporádicas na imprensa periódica, por seus itinerários junto ao mundo das sociabilidades teatrais pólo primário de seu contato com os circuitos culturais em Londres e, sobretudo a partir da década de 1890, pela escrita literária, com ênfase na produção de novelas sentimentais e romances de horror. A partir de elementos biográficos, este texto, que compõe um desdobramento da pesquisa de mestrado dedicada à inquirição de parte da produção literária do romancista, pretende-se, de início, à análise de setores dos círculos de sociabilidades intelectuais nos quais Stoker se dimensionava ao final do século XIX. A ênfase incide sobre o envolvimento de Stoker no projeto literário The Fate of Fenella (1892), para cercar a sua inserção na intelligentsia londrina e a sua constituição enquanto letrado. As fontes mobilizadas referenciam os rastros de Stoker na imprensa periódica, seus escritos jornalísticos e, a título de sua problematização, a (auto)biografia Personal Reminiscences of Henry Irving (1906). Estas escolhas estão interligadas a uma acepção plural dos intelectuais enquanto mediadores culturais e observadores privilegiados do social, cujas trajetórias pedem naturalmente esclarecimento e balizamento, mas também e sobretudo interpretação” (SIRINELLI, 2003, p.247). A atenção à trajetória intelectual de Bram Stoker, em um jogo de vaivém entre vida e escrita, atenta-se à “multiplicidade das experiências, a pluralidade de seus contextos de referência, as contradições internas e externas das quais elas são portadoras” (REVEL, 1998, p.22). Se, por um lado, o escopo de observação privilegia os itinerários do literato em meio ao mundo das ribaltas, dos jantares festivos nos clubes de cavalheiros, das