! ""#$% ! # A importância do agon no pensamento de Nietzsche João Kamradt * ACAMPORA, Christa Davis. Contesting Nietzsche. University of Chicago Press, 2013, 259 p. O papel da competição ou do agon na filosofia de Nietzsche vem recebendo nos últimos anos uma atenção cada vez mais significativa dos seus comentadores, principalmente daqueles ligados às teorias políticas. Christa Acampora Davis não é uma teórica da política, mas isso não impediu que ela escrevesse um livro original e instigante, que consegue explorar exaustivamente a reflexão de Nietzsche sobre o agon e suas diversas aplicações na filosofia nietzschiana. Acampora começa seu estudo com uma análise do ensaio de Nietzsche chamado “A Competição de Homero”. O estudo é utilizado para demonstrar como Nietzsche enxerga no agon uma possibilidade de aumento contínuo da vida produtiva. A ideia principal seria aquela de que dentro de uma competição a busca pela vitória não é necessariamente a mais importante. O que acaba ganhando mais atenção é a contínua intenção do ser continuamente se superar. Ou seja, tão importante quanto vencer é competir pelo interesse de se colocar à prova, de tentar continuamente ultrapassar os próprios limites. Para tanto, o concorrente nunca pode ser destruído, abrindo a possibilidade para que o campo de contestação contínua e da contínua tentativa de superação de si mesmo esteja sempre aberto. Nietzsche encontra essa ideia de competição com o exemplo da Grécia homérica onde o agon cria condições para a geração do valor contínuo de superação e permite que “as pessoas forjem ligações significativas entre os indivíduos, grupos e entre as pessoas, a cidade e as poderosas forças de deuses” (p. 50). * Jornalista formado, é mestrando no curso de Sociologia Política da UFSC. Membro do Grupo Nietzsche e Teoria Política, Joinville, SC, Brasil. Contato: joaokamradt@gmail.com