25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 1 III-086 - OTIMIZAÇÃO DE PROCESSOS FÍSICO-QUÍMICOS NA REMOÇÃO DE FÓSFORO DE ESGOTOS SANITÁRIOS POR PROCESSOS DE PRECIPITAÇÃO QUÍMICA COM CLORETO FÉRRICO André Luiz Marguti (1) Engenheiro Ambiental pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Mestrando em Engenharia Hidráulica e Sanitária na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Sidney Seckler Ferreira Filho Engenheiro Civil pela EPUSP, Professor Associado do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Roque Passos Piveli Engenheiro Civil pela EESC, Professor Associado do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Endereço (1) : Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Av. Prof. Almeida Prado, travessa 2, n.271 – Prédio de Engenharia Civil, Cidade Universitária – São Paulo – SP – CEP: 05508-900 – Brasil – Tel.: +55 (11) 3091-5220 – e-mail: andre.marguti@gmail.com. RESUMO Tendo em vista a potencialidade do emprego de processos de coagulação química no tratamento de esgotos, este trabalho teve por objetivo estudar a remoção de fósforo em efluentes de sistemas anaeróbios e aeróbios de tratamento de esgotos. Observou-se que foi possível atingir valores de remoção de fósforo da ordem de 90%, sendo que as dosagens de coagulante se situaram em torno de 60 a 100 mg FeCl 3 /L. Concomitantemente com a remoção de fósforo, foi também observada uma remoção de carbono orgânico dissolvido (COD) para os efluentes investigados, sendo que as dosagens de coagulante que permitiram a otimização da remoção de fósforo também possibilitaram a otimização da remoção de COD. Justifica-se a remoção de fósforo na forma orgânica e de polifosfatos pelo fato destes estarem associados ao COD removido. PALAVRAS-CHAVE: Precipitação química, processos físico-químicos, coagulação, remoção de fósforo, tratamento de esgotos. INTRODUÇÃO Nas décadas de 40 a 60, a maior preocupação quando do projeto e construção de estações de tratamento de esgotos (ETEs), especialmente nos Estados Unidos da América e Europa, era a garantia de eficiência na remoção de compostos orgânicos biodegradáveis e sólidos em suspensão totais (SST), sendo que os parâmetros balizadores para tanto eram tão somente a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e SST. No entanto, dada a elevada concentração de nitrogênio e fósforo em esgotos sanitários e, uma vez que os sistemas já implantados não foram originalmente projetados de modo a proporcionarem a sua remoção de forma adequada, a maior parte das instalações construídas a partir da década de 70 teve de ser remodelada com o objetivo de incorporarem processos e operações unitárias que objetivassem a sua remoção de forma satisfatória. Deste modo, considerando a remoção de ambos os nutrientes, enquanto a remoção preferencial de nitrogênio ocorre por via biológica (processos de nitrificação e desnitrificação), a remoção de fósforo em ETEs pode ocorrer por processos biológicos ou por processos físico-químicos mediante o uso de sais de alumínio ou ferro. De um modo geral, a grande vantagem da adoção de processos físico-químicos de remoção de fósforo em ETEs em relação aos processos biológicos é a sua grande flexibilidade, podendo ser facilmente adaptados em unidades já existentes ou quando do projeto de sistemas de tratamento a serem implantados. Os processos biológicos, por sua vez, tendem a apresentar uma maior complexidade operacional por serem altamente dependentes do comportamento da biomassa ativa, das condições ambientais previstas no tanque de aeração e das características do substrato afluente (Marais et al, 1983; Mulkerrins et al, 2004). Portanto, a utilização de processos físico-químicos de remoção de fósforo tem sido vista como alternativa tecnológica bastante promissora, podendo este ser empregado de forma isolada ou conjuntamente com os processos biológicos.