SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 12º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Santa Cruz do Sul – UNISC – Novembro de 2014 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 1 Apropriações jornalísicas do trabalho infanil domésico: a construção de cenas de sofrimento e o lugar dos sujeitos Leandro Lage Danila Cal Resumo: Busca-se compreender estratégias narrativas mobilizadas pelo jornalismo impresso para constituir e retratar cenas de sofrimento ligadas ao trabalho infantil doméstico. Parte-se da discussão da política da piedade (Arendt) e da narratividade jornalística (Motta; Casadei) como fundamento teórico para analisarmos criticamente um exemplo de apropriação jornalística do sofrimento, considerando dois aspectos: a configuração narrativa de cenas de sofrimento e o posicionamento dos sujeitos sofredores nos relatos dessas experiências. Importa-nos, no que pode remanescer da política da piedade, a persistência das narrativas jornalísticas de sofrimento e a constituição de cenas em que figuram sujeitos sofredores. Palavras-chave : Narrativas jornalísticas; Trabalho Infantil Doméstico; Política da Piedade; Narrativas de sofrimento; Cenas de sofrimento. 1. Introdução Na edição de 30 de março de 2008 do jornal Diário do Pará, é contada a história de Maria Aparecida dos Santos, em reportagem intitulada Trabalho ainda ameaça infância, subtitulada Uma vida inteira de sacrifício desde os 5 anos. Cida, como é chamada, nasceu em 1964, em Vigia, cidade do nordeste paraense. Aos cinco anos, ela se mudou para capital, onde morou com a madrinha. “A promessa era educá-la e favorecer oportunidades de instrução e emprego. Nunca mais viu os pais analfabetos ou os irmãos. Passou a infância carregando compras, lavando chão, cozinhando e passando roupas” (ZAGHETTO, 2008, p.