54 Janeiro . Fevereiro 2005 Volume 1, Número 1 Urologia Urologia Estudo PROSPOR Avaliação dos graus de alerta e conhecimento da população portuguesa acerca das doenças da próstata José Santos Dias, Nuno Monteiro Pereira, João Paulo Rosa, Carlos Santos Androclinic – Centro de Urologia e Medicina Sexual, Lisboa. Introdução As doenças da próstata – a hiper- trofia benigna e o adenocarcinoma – têm uma elevada prevalência nos homensdospaísesmaisdesenvolvi- dos. Ahiperplasiabenignadapróstata (HBP) é, em termos histológicos, quaseuniversalnasidadesavança- das,sendosintomáticaemcercade 30-50% dos homens com mais de sessentaanos.Ossintomasprecoces são essencialmente miccionais, ha- bitualmenteoaumentodafrequên- ciaurinária,ademoraeminiciara micçãoeadiminuiçãodaforçado jacto urinário. Estes sintomas são muitas vezes vistos pelos doentes comoproblemasmenores(mesmo quando os sintomas são severos), sendofrequentementeencaradaco- mo uma consequência normal, e inevitável, do envelhecimento. O diagnóstico da HBP sintomática é sobretudo clínico, embora possa ser importante quantificar o volu- medoórgãoeograudeobstrução urináriaqueprovoca.Paraissore- corre-seaotoquerectal,àecografia transrectaleàfluxometriaurinária. Omedodepadecerdecancroafasta muitasvezesodoentederecorrerao médico.Seofaz,eestelheassegura nãosetratardepatologiamaligna, muitas vezes o doente descansa e deixadesepreocuparcomaprós- RESUMO Objectivos: Avaliar os graus de alerta e conhecimentos da população adul- ta portuguesa acerca das doenças da próstata. Material e Métodos: Inquérito independente que inquiriu um total de 1000 indivíduos, 473 homens e 527 mulheres, com idade superior a 18 anos, residentes em Portugal Continental. A distribuição pelas diferentes regiões foi feita de acordo com o último recenseamento geral da população portuguesa (Censos 2001). O inquérito foi realizado através de entrevista telefónica para a residência dos inquiridos, entre os dias 21 de Outubro e 13 de Novembro de 2004, tendo contado com recurso a CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing) e a participação de 26 entrevistadores. Resultados: Quando inquiridos sobre se já haviam ouvido falar de “hiper- trofia benigna da próstata“, 54.1% dos homens e 62.8% das mulheres respondeu negativamente. Quando inquiridos sobre qual a doença mais frequentes dos homens, 84.9% dos inquiridos fizeram espontânea referên- cia ao cancro da próstata e apenas 22.4% ao aumento benigno da prós- tata. A maior parte dos perscrutados (42.9%) não tinham qualquer ideia sobre quais os exames que servem para diagnosticar o aumento benigno da próstata. Quando se fez a pergunta sobre qual o tipo de cancro que os inquiridos já tinham ouvido falar, numa tentativa de se avaliar a notorieda- de espontânea dos diversos tipos de cancro, a próstata foi referida por 42.1% dos inquiridos, sendo o quarto tumor mais nomeado. Apenas 12% dos inquiridos referiram não ter ideia sobre quais os exames diagnósticos do cancro da próstata, mas os exames analíticos à urina foram referidos por 41.4% dos inquiridos e o PSA foi apenas referido por 34.8%. Conclusões: Os resultados do estudo indicam que há um significativo dé- fice do grau de alerta e de conhecimentos da população portuguesa em relação com as doenças da próstata. Impõe-se a realização de programas educacionais públicos que promovam diagnósticos adequados e tratamen- tos precoces. Palavras-chave: Hipertrofia benigna da próstata, cancro da próstata, alerta, conheci- mento, diagnóstico precoce. Estudo independente, apoiado financeiramente pela Sanofi-Aventis, entidade que não teve qualquer interferência no desenho do estudo nem nos resultados e conclusões apresenta- dos, que são da exclusiva responsabilidade dos autores.